Início Notícias Marcas

Chanel e Hermès dão exemplo

O LVHM, detentor da Louis Vuitton, e o Kering, proprietário da Gucci, recuaram na intenção de recorrer ao apoio do Estado francês para manter os postos de trabalho. Na base desta mudança está o exemplo da Chanel e da Hermès, que prometeram «não pesar nas contas públicas».

Chanel

O LVHM e o Kering, os maiores grupos de artigos de luxo do mundo, estavam a equacionar recorrer aos esquemas de assistência governamental, mas terão recuado nessa intenção depois da Hermès e da Chanel terem anunciado que iriam lidar com a crise provocada pela pandemia do Covid-19 sem recorrer a ajudas do estado francês.

Segundo avança o Financial Times,  na edição desta terça-feira, após o 15 de março, data em que começou a paragem na economia francesa, o LVHM, detentor de marcas como a Louis Vuitton, Christian Dior e Fendi, entre outras, começou a equacionar colocar alguns trabalhadores em regime de tempo parcial.

Bernard Arnault

O regime avançado pelo Governo francês permite, às empresas, colocar trabalhadores em horário reduzido ou em paragem total, num esquema semelhante ao lay-off simplificado adotado pelo Governo de António Costa e que tem como objetivo evitar demissões em grande escala.

Trabalhadores da Louis Vuitton, a maior marca do grupo presidente por Bernard Arnault, responsável por quase metade do lucro operacional do grupo, e da Sephora estariam entre os que seriam colocados no regime de trabalho a tempo parcial.

Situação semelhante estava para acontecer na holding Kering, proprietária da Gucci. Neste caso, segundo um representante sindical da Boucheron, marca de relógios e joias também detida pelo grupo dirigido por François-Henri Pinault, nas últimas semanas terão mesmo sido realizadas três reuniões com esse objetivo. No entanto, ontem, o sindicato terá sido informado que o plano não iria avançar.

Na base deste recuo, estará o exemplo dado pela Chanel e pela Hermès, isto apesar do porta-voz do LVHM afirmar que a empresa não costuma tomar decisões com base nas ações de empresas concorrentes. Já o Kering recusou-se a comentar a situação.

A Chanel, controlada pelos irmãos Alain e Gérard Wertheimer, anunciou a 28 de março que não pretendia recorrer ao programa de ajuda governamental nesta fase da crise.

«O nosso objetivo não é pesar nas contas públicas, para que o Estado francês possa dar prioridade à ajuda as empresas mais vulneráveis e concentrar os seus recursos no sistema de saúde e nos profissionais de saúde», afirmou a casa de moda francesa em comunicado.

Francois Henri Pinault

Também a Hermès, cujo controlo está nas mãos da 6.ª geração de Thierry Hermès, deixou a 1 de abril a promessa de que irá manter os salários dos seus 15.500 funcionários em todo o mundo e não recorrer a nenhum regime de trabalho a tempo parcial durante a pandemia de Covid-19.

A questão de recorrer a ajudas estatais tornou-se preocupante para algumas das maiores empresas francesas.

No segmento de luxo, a equação é ainda mais complicada, uma vez que os grupos LVHM e Kering são controlados pelos homens mais ricos do país, 1.º e 3.º lugar respetivamente, segundo o ranking da revista Forbes.

Os dois bilionários, Bernard Arnault e François-Henri Pinault, são concorrentes ferozes e figuras de destaque em França, com os seus movimentos minuciosamente examinados. Ambos doaram dinheiro e recursos para a luta contra o novo coronavírus nas últimas semanas, com o LVMH a receber vários elogios por converter fábricas de perfumes e cosméticos para fabricar desinfetante para as mãos dos profissionais de saúde.