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Chanel investe na Farfetch

A casa de moda francesa comprou uma posição na plataforma fundada pelo português José Neves, com o objetivo de aceder a serviços ao cliente, através da inovação digital, mas sempre com base nas lojas físicas da casa de moda.

A Chanel investiu na Farfetch, de José Neves, no âmbito de uma parceria entre as duas empresas, o que, apesar de tudo, não significa que a casa de moda tenha planos para começar a vender a sua exclusiva coleção de vestuário e bolsas online. O objetivo é trabalhar na área do serviço ao cliente, através da inovação digital. Este acordo envolveu a compra de uma participação na plataforma portuguesa, sendo que nenhuma das partes revelou os valores envolvidos na transação.

Em declarações à Reuters, Bruno Pavlovsky, presidente da Chanel para a área da moda, explicou que a ideia é «enriquecer o relacionamento com os nossos clientes», ressalvando que a empresa não quer ser um Big Brother de quem quer comprar mas que pretende ter a hipótese de dar aos clientes uma abordagem mais personalizada.

O CEO e fundador da Farfetch, José Neves, referiu, por sua vez, que atualmente o desafio para a indústria de luxo é que «os clientes estão habituados a experiências ultrapersonalizadas. Quando se entra numa loja, as pessoas não nos conhecem» e isso pode ser um obstáculo.

A Chanel já tem um serviço digital de acompanhamento para alguns clientes, mas quer alargar a estratégia, que pode passar por aplicações para smartphone, que permitem assinalar as preferências dos clientes e os tamanhos antes de ir à loja, passando essas informações para os colaboradores que trabalham nos espaços físicos da Chanel, que depois encaminham os clientes para o item escolhido.

Farfetch a caminho da bolsa

A Farfetch já conta com produtos de mais de 700 boutiques de luxo em todo o mundo e tem entre os seus investidores a retalhista online JD.com, a francesa Eurazeo e o investidor público de Singapura Temasek. A Burberry também anunciou na semana passada que tinha finalizado uma parceria com a plataforma de José Neves que, além deste negócio de marketplace, também fornece soluções aos clientes para uma maior digitalização das lojas.

A Chanel tem aproximadamente 200 lojas e vende cosméticos, óculos e perfumes online, mas a marca acredita que comercializar os restantes produtos em plataformas de comércio eletrónico os tornaria menos exclusivos.

Este acordo é o último de uma série por parte da Farfetch, que já conseguiu perto de 700 milhões de dólares (564 milhões de euros à cotação de 20 de fevereiro) em financiamento, para ganhar músculo, enquanto prepara o lançamento de uma oferta pública inicial, ou seja, uma dispersão das ações em bolsa (ver os próximos passos da Farfetch). A plataforma poderá entrar nos mercados com uma avaliação superior a 5 mil milhões de dólares (4,02 mil milhões de euros).