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Charles com estratégia de sobrevivência

A Christian Sapatarias, mais conhecida por Charles, encerrou a fábrica de calçado de S. João da Madeira por falta de rentabilidade, apresentando custos fixos que rondavam os 165 mil contos ao ano. Antes de tomada esta decisão, tentou-se avançar com a exportação mas, a falta de preços competitivos quebrou qualquer esperança depositada nesta solução. No seguimento desta reorganização, a Charles acaba de chegar a acordo com o Estado para o pagamento das dívidas ao fisco e à Segurança Social, que somam 400 mil contos. A Charles emprega 290 pessoas, tendo agora uma única fábrica em Arcos de Sardão, Vila Nova de Gaia, com 155 empregados. A marca abastece as 39 lojas de todo a país, caminhando para a expansão e apoia-se na subcontratação de empresas nacionais para abastecer o mercado. Alexandre Vidinha, actual presidente da Charles, diz ter encontrado as empresas «numa fase de declínio bastante acentuado. Havia sobre-dimensão de custos, aliada ao envelhecimento do produto». Assim, procedeu-se a um ajuste da gama de produtos, optando-se pelas gamas média e alta. A diversificação de produtos passou por uma remodelação de estilistas, o espanhol José Maria Lopez foi convidado para a área de calçado e a dupla portuguesa, Paulo Cravo e Nuno Baltazar, para o vestuário, que representa cerca de 42,5% das vendas da empresa. Em 2000 a Charles facturou 4,3 milhões de contos, com 8 mil contos de resultados líquidos, uma ligeira subida de 1% face ao ano anterior. Em 1999 a empresa teve um resultado negativo de 285 mil contos. Para o corrente ano, prevêem um aumento de 5% nas vendas e um lucro final que deverá rondar os 200 mil contos. Na continuidade desta nova fase de expansão, prepara-se o lançamento de dois perfumes, já para a colecção Outono/Inverno, um para homem e outro para mulher. A firma acaba também de formalizar dois contratos com a NBP- Nicolau Brayner Produções, para o fornecimento de produtos para programas televisivos como «O Super Pai» e a novela da TVI «Filha do Mar».