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Chegou a chelfie

A nova modalidade de selfie tem os provadores de lojas como pano de fundo e está a transformar a forma como os consumidores interagem no ato da compra. A chelfie funciona como um consultor de imagem, cuja figura é agora substituída pelos media sociais.

A chelfie – em alusão à palavra inglesa para provador (changing-room) – chegou às redes sociais. Em caso de dúvida sobre a eventual compra de uma determinada peça de vestuário, a solução passa agora por publicar uma fotografia nas redes sociais e aguardar pelos conselhos das respetivas conexões digitais.

São vários os consumidores que optam por esta tendência. Recorrendo às redes sociais, procuram aprovação e aconselhamento público, que influenciarão as suas decisões de compra. Para muitos, esta é a segunda opinião de que necessitam para tomar uma decisão de compra.

De acordo com um estudo recente, a publicação de chelfies na rede social Twitter duplicou nos últimos três meses. O mesmo estudo revela que ambos os géneros estão a adotar este hábito de compra, demonstrando, simultaneamente, que as mulheres necessitam de pelo menos três recomendações antes de efetuarem a compra, enquanto os homens precisam de quatro. Alguns consumidores aguardam várias horas até conquistarem as recomendações pretendidas e dois em cada cinco dos inquiridos admitiu não comprar caso reúna menos de dez.

A psicóloga comportamental, Linda Papadopoulos, afirma que «embora as compras on-line se estejam a tornar cada vez mais populares, muitos pretendem ainda a aprovação dos seus amigos no momento de compra de novas peças de vestuário e acessórios».

Relevância futura

A tendência das chelfies atraiu a atenção da cantora Jessie J e da modelo irlandesa Vogue Williams. O conceito tornou-se de tal forma comum que várias revistas e blogs oferecem conselhos sobre como tirar a chelfie perfeita. De acordo com a Vogue, as dicas incluem vestir roupas íntimas de qualidade, ainda que básicas, empoleirar-se nas pontas dos dedos dos pés e nunca, em qualquer circunstância, usar o flash.

Existe, inclusive, um aplicativo inspirado nesta nova tendência. Chama-se Pollpic e pretende facilitar a criação de uma chelfie, disponibilizando para votação a fotografia da compra potencial, a amigos ou ao público em geral.

As marcas estão, também, a aderir à moda das chelfies. Na loja da Chanel, em Londres, Lagerfeld disponibilizou iPads nos provadores. Tommy Hilfiger transporta, também, a selfie para o provador com quiosques de iPads, que não só permitem que amigos e familiares ofereçam conselhos, como promove o envolvimento do cliente com a marca em tempo real. A empresa francesa Pixglass tem o potencial de tornar a tendência das chelfies ainda mais fácil, com o seu espelho dotado de câmara fotográfica, que tira uma selfie e a envia para o telemóvel do cliente.

O carimbo de aprovação social está a transformar o fenómeno das compras. Tirar uma chelfie, transmiti-la através das redes sociais e receber feedback instantâneo tornaram-se partes integrantes do retalho. Como Ollie Bath, da revista Marketing Magazine, adverte: «os comerciantes que não adotarem o marketing das selfies como uma ferramenta de seu próprio direito – ou que se mostrem incapazes de responder a esta nova geração de consumidores – poderão perder vendas valiosas».