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Chic recebe nova realidade

O salão internacional de moda regressou a Xangai depois do surto de Covid-19, que levou a organização a adotar novas medidas e formatos. Para esta edição mais focada no mercado chinês, a Chic acolheu mais de 500 marcas e cerca de 43 mil visitantes.

[©Chic Shanghai]

De 23 a 25 de setembro, o salão internacional de moda regressou ao Centro Nacional de Exposições e Convenções de Xangai para assinalar a retoma na cidade chinesa no pós-confinamento. Durante três dias, a Chic Shanghai abriu portas a precisamente 43.986 visitantes e a mais de 500 marcas de vários segmentos numa área de 53 mil metros quadrados.

Dadas as restrições aplicadas face às deslocações entre países, o certame acolheu, segundo a organização, maioritariamente marcas chinesas, ainda que outras empresas internacionais tenham estado presentes através de agentes locais.

Um dos temas-chave implícitos na feira foi a sustentabilidade e também a elevação do mundo da moda que, refere a organização, corresponde à procura atual dos consumidores chineses, já que o mercado a eles subjacente começa agora a dar sinais de recuperação. Na prática e de acordo com o Gabinete Nacional de Estatísticas, em agosto foi registado o primeiro aumento no comércio, de 0,8%, desde o início do ano. O gabinete revelou ainda que o consumo interno será o indicador de crescimento mais importante para os próximos anos, assim como uma melhor qualidade nas coleções mais caras, para corresponder à procura elevada por qualidade e estilo.

O ânimo sentido no mercado chinês é já visível nas cidades com uma população inferiores a três milhões de habitantes, uma vez que que nestas zonas os gastos de consumo estão a aumentar cada vez mais. Por outro lado, e como consequência da pandemia, as plataformas digitais continuam a desenvolver-se a ritmo acelerado, com enorme crescimento das vendas.

[©Chic Shanghai]
A relevância dos consumidores mais jovens acentua-se ainda mais, já que a geração Z, que corresponde a 25% da população do país, tem aumentado os gastos. Segundo um novo estudo do New Retail, não é apenas a geração Z que está mais predisposta a gastar, também os millennials estão recetivos a investir em produtos que atuem em conformidade com os seus valores e reforcem a individualidade de cada um. Perante a análise, a saúde e a sustentabilidade demonstraram ser tópicos muito importantes para estas gerações.

Indústria em transformação

«A indústria de vestuário global está exposta a muitas dificuldades e a grandes desafios. O sector está em processo de transformação e ajuste, onde os pontos principais são a digitalização, a inovação e a mudança em todo o conceito de desenvolvimento», afirma Chen Dapeng, presidente da Chic e da Associação Nacional de Vestuário da China. «O desenvolvimento sustentável tornou-se um consenso global. Um ecossistema industrial responsável e sustentável e uma cadeia de aprovisionamento ecológica tornaram-se uma parte importante do “poder de persuasão” industrial. A Chic é o microcosmo do desenvolvimento da indústria de vestuário chinesa e vê-se como uma prestadora de serviços para a indústria e para o comércio, para os quais a feira fornece todos os recursos», explica.

Para a edição de março de 2021, a sustentabilidade continuará a ser um dos temas mais importantes no evento, que nesta edição destacou alguns exemplos, como o uso de fibras biodegradáveis, métodos de tingimento com produtos naturais, redução de 50% no consumo de água a partir de processos de laser e ainda a implementação de chips para rastrear a origem do produto.

[©Chic Shanghai]
A organização disponibilizou novas ferramentas na Chic Shanghai, como a Chic App, que foi utilizada para várias funções, nomeadamente para o registo de visitantes, inscrições nos seminários, aceder a documentação alusiva à feira e inclusive serviços de catering. Apesar da multifuncionalidade da aplicação, um dos principais objetivos foi mesmo ampliar a participação no certame, ainda que digital, e também proporcionar reuniões com base no processo de match-making entre expositores e compradores.