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China: a ascensão do dragão

2005, o ano chinês do galo, trará enormes oportunidades para a indústria têxtil e do vestuário da China, quando as actuais quotas desaparecerem no comércio dos países da OMC (Organização Mundial de Comércio).

Este país possui recursos naturais abundantes, e a sua poderosa força laboral tem sido a base do sucesso em servir tanto os mercados externos, como o doméstico.

Desde que foi anunciado o fim das quotas no mercado internacional de têxteis e vestuário, a quota chinesa destes artigos disparou a nível mundial, não deixando quaisquer dúvidas de que este país será o grande vencedor da era pós-quotas.

Esta certeza assenta na força da China como produtora de têxteis e vestuário, dado que este é o maior fabricante mundial neste sector, em termos de exploração e de satisfação da sua enorme população de 1,3 mil milhões de pessoas.

A China é também o maior produtor mundial de algodão cru, com 4.370 toneladas por ano, além do maior consumidor de algodão, com um consumo anual na ordem das 4.501 toneladas.

A província de Xinjiang, no norte do país, representa a maior percentagem da produção de algodão, assegurando 21,5% da produção total de algodão chinesa, enquanto Henan, com 16,6%, assegura a segunda posição.

Com o fim do actual sistema de quotas, o consumo de têxteis e vestuário na China vai multiplicar-se, dado que os produtos chineses entrarão em novos mercados, e a procura interna também terá tendência para crescer, facto que aumentará igualmente as importações de algodão, uma vez que a produção doméstica desta matéria-prima não deverá crescer significativamente.

A produção de têxteis e vestuário está, desde há muito, entre os pontos fortes da China, e décadas de desenvolvimento e investimento auto-controlado pelo Estado, garantiram a este país uma grande quantidade de instalações industriais modernas, que oferecem as mais recentes tecnologias neste sector.

Com uma indústria de capital muito intensivo, os têxteis beneficiaram dos apoios do governo chinês, que ocorreu precisamente numa época em que as empresas do sector nos países em vias de desenvolvimento atravessavam sérias dificuldades, devido à forte concorrência, às reduzidas margens e à queda dos preços nos mercados internacionais, o que dificultou a sua expansão e modernização.

Para termos uma ideia da extensão do controle estatal do negócio têxtil na China, mesmo após uma década de abertura ao investimento estrangeiro, vejamos alguns dados:

96,4% dos activos financeiros das 500 maiores empresas da China são detidos por empresas totalmente controladas pelo Estado 73,6% das 500 maiores empresas da China são de capitais públicos

A China implementou igualmente uma estratégia de segmentação da produção dos diferentes tipos de artigos têxteis e vestuário, em termos de localização geográfica e distribuição da mão-de-obra, instalações e tecnologia industrial, de que são exemplos:

Suzhou e Hangzhou como áreas de fabrico de artigos e tecidos em seda Jiangyin desenvolveu-se como centro para tingimento e processamento de peças Shandong como região especializada em gangas ecanvas Fujian cresceu como centro de confecção e malhas Tianjin destaca-secomo fabricante de casacos eblazers

Com estas enormes forças e vantagens competitivas, não restam dúvidas que a China se vai tornar a maior fonte de vestuário a nível mundial, depois do fim das quotas, e as estimativas indicam que assegurará 65% do mercado dos Estados Unidos.

Possuindo uma mão-de-obra tão numerosa e qualificada, como é que os chineses conseguem comercializar produtos com preços tão competitivos?

A resposta tem duas vertentes.

O factor mais importante é a taxa de câmbio da moeda chinesa. Com efeito, o índiceRinminbi foi valorizado em 8.277 pontos, face ao dólar, desde 1995.

Além disso, desde o referido ano, foram efectuados enormes investimentos naquele país, o que a juntar à forte desvalorização da moeda norte-americana, contribuiu para o fortalecimento da indústria chinesa, tornando-a uma das mais competitivas do mundo.

Isto manteve o preço dos produtosMade in China muito baixo, tornando-os ainda mais atractivos para os grandes mercados de consumo.

Mesmo que perca estas duas enormes vantagens, a China continuará a ser um dos maiores fornecedores do mercado global dos têxteis e vestuário, e as suas exportações deverão passar dos actuais 309 mil milhões de dólares, para os 865 mil milhões de dólares, em 2014.