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China aumenta exportações de confecções em malha

Na sequência do acompanhamento que o Portugal Têxtil tem feito ao comércio internacional chinês e, mais concretamente ao vestuário de malha (conforme artigo já publicado anteriormente), apresenta-se as principais conclusões dum artigo recente do Just-style.com que prevê um forte aumento da exportação de vestuário em malha produzido na China para a Europa e Estados Unidos. Com efeito, só as exportações para este último país deverão crescer 55% entre 2001 e 2010, atingindo as 150.000 toneladas, enquanto as vendas para a União Europeia registarão um acréscimo de 79%, fixando-se nas 300.000 toneladas em 2010. Em contraste, o aumento das exportações para o Japão devem revelar-se mais moderadas, segundo um recente estudo do Textiles Intelligence, designado “Mercados Mundiais dos Têxteis e Vestuário em Malha: Previsões para 2010”, segundo o qual este abrandamento reflecte o facto da China assegurar actualmente o grosso das importações japonesas de vestuário em malha, deixando assim pouco espaço para um crescimento significativo. Grande parte deste crescimento nas exportações chinesas de artigos em malha é impulsionado por uma onda de investimentos de empresas estrangeiras. As empresas de Taiwan e do Japão, em especial, têm investido substancialmente na produção de fibras e têxteis na China, dado que os elevados custos da mão-de-obra tornaram essa opção pouco competitiva noutros países. Aliás, os fabricantes noutros países deverão seguir a mesma tendência; como exemplo, os custos da mão-de-obra na indústria têxtil e do vestuário no Japão estão entre os mais elevados do mundo, e em 2002 rondaram, em média, os 22,76 dólares por hora, segundo a empresa de consultoria Werner International. Em comparação, o custo médio do trabalho na China, foi de 41 cêntimos por hora. As empresas japonesas têm vindo igualmente a investir noutros países asiáticos com mão-de-obra barata, incluindo a Tailândia, Indonésia e Vietname, nos quais os custos do trabalho por hora, em 2002, foram de apenas 1,24 dólares, 0,5 dólares e 0,39 dólares, respectivamente. É natural que estes investimentos aumentem a concorrência para a China, no futuro, mas no entanto esta não deverá ter um efeito significativo no crescimento das exportações chinesas. O impacto deste investimento no estrangeiro sobre a indústria da confecção em malha japonesa tem sido bastante forte. Entre 1990 e 2001, a produção de tecidos em malha no Japão diminuiu quase 39%, passando das 168.400 para as 103.400 toneladas fabricadas, e as previsões apontam para que, em 2010, esta produção desça mais 27%, para as 75.000 toneladas. A concorrência por parte da China deve aumentar ainda mais nos próximos 18 meses, quando as as quotas que limitam as exportações chinesas forem sendo gradualmente eliminadas. Ao abrigo do Acordo de Têxteis e Vestuário, assinado sob a égide da Organização Mundial de Comércio (OMC), as referidas quotas serão totalmente eliminadas até 31 de Dezembro de 2004. O mesmo relatório, da autoria da Werner International, prevê que as empresas chinesas terão assim ainda mais vantagens e aproveitarão o fim das referidas quotas para aumentar as suas exportações, facto que terá um inevitável impacto sobre os outros países produtores de vestuário em malha, levando muitas empresas a reduzirem as suas margens e reduzirem os preços, de modo a poderem competir no agressivo mercado global. No entanto, os fabricantes dos países com mão-de-obra barata reduziram já as suas margens ao máximo, deixando pouco espaço para cortes adicionais. Os empresários mais visionários estão já a preparar-se para o referido cenário, implementando estratégias alternativas, destinadas a proteger e desenvolver os seus próprios negócios. Uma dessas medidas estratégicas é o reforço do investimento na produção no estrangeiro, à imagem do que as empresas japonesas têm feito com tão bons resultados. Outra opção será desenvolver laços mais fortes com os produtores de fibras artificiais, enquanto uma terceira via é tirar proveito dos recentes desenvolvimentos nas novas tecnologias e do aparecimento de fibras hi-tech. Estas últimas inovações tecnológicas estão a proporcionar às empresas deste sector novas oportunidades ao nível do design de produtos e ainda a possibilidade de criar produtos mais flexíveis e personalizados. Assim, os têxteis e vestuário em malha já não estão confinados aos produtos básicos, como as t-shirts, a roupa interior e as camisolas, e as suas aplicações nos sectores automóvel, técnico e médico, entre outros, deverá crescer nos próximos dez anos, dando desta forma oportunidade aos fabricantes dos países mais desenvolvidos de explorarem novos nichos de mercado.