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China continua a crescer no mercado mundial de têxteis e vestuário

As exportações chinesas de têxteis e vestuário totalizaram os 61,5 mil milhões de dólares durante os primeiros sete meses do ano, registando uma taxa de crescimento superior durante os meses de Junho e Julho do que no mês de Maio, segundo divulgado pelo ministério do comércio chinês.

Os exportadores chineses de têxteis e de vestuário venderam 28% mais produtos para o mercado externo em Junho, relativamente a igual período de 2004. Durante o mês de Julho, as vendas registadas registaram uma subida de 23% e em Maio este indicador registou uma taxa de 19%, relativamente a iguais períodos de 2004.

De acordo com o divulgado pelo serviço informativo chinês Shenzhen Daily, prevê-se que os produtores chineses de têxteis e vestuário assegurem uma quota superior do mercado comunitário durante 2006, à medida que o ambiente de negócios estabiliza com a definição clara dos acordos que regulamentam o comércio de têxteis e de vestuário entre os dois parceiros comerciais.

De acordo com o divulgado pelo Diário Económico, a quota chinesa do mercado têxtil europeu para as dez categorias de produtos contemplados no acordo estabelecido em Junho com a União Europeia (ver notícias no Dossier Negociações U.E. e China), atingirá 31,4% em 2007 contra 12,4% em 2004, anunciou no final de Agosto o Ministério chinês do Comércio. Ainda segundo as estatísticas do Ministério, as exportações de têxteis chineses para a UE aumentaram, em termos homólogos, 130% no primeiro semestre de 2005.

Abrandamento do crescimento económico

Segundo as autoridades chinesas, prevê-se que a economia chinesa cresça anualmente entre 8% e 8,5%, entre 2006 e 2010. Trata-se de um desempenho inferior ao registado nos últimos dois anos, que reflecte algum sucesso nas políticas de arrefecimento da economia, mas que é também resultado de uma redução do excedente comercial e de um abrandamento do emprego.

O Governo tinha fixado inicialmente o objectivo de crescimento nos 8% para este ano, mas o desempenho da economia chinesa deverá certamente atingir os 9,5%, tal como aconteceu no ano anterior. Segundo o Instituto de Investigação Macroeconómica da Comissão Nacional para o Desenvolvimento e a Reforma (com estatuto de ministério), o abrandamento será conseguido pela redução do excedente comercial e de um abrandamento do emprego. Ainda assim, a economia ainda apresenta sinais de sobreaquecimento, nomeadamente com um crescimento de 27,2% nos investimentos em capital fixo nos primeiros sete meses do ano.

Lucro industrial sobe 21% entre Janeiro e Julho

Segundo o divulgado pelo Diário Económico, as empresas industriais chinesas geraram um lucro total de 743,7 mil milhões de yuan (75 mil milhões de euros) nos primeiros sete meses do ano, o que representa um aumento de 20,6% face ao período homólogo do ano passado, segundo dados do Gabinete Nacional de Estatística divulgados no final de Agosto em Pequim.

O crescimento do lucro foi 1,5% mais alto que nos primeiros seis meses do ano, mas 17,4% inferior ao registado no conjunto do ano passado. Segundo Wang Zhao, do State Council Development Research Center, a actual situação de lucro encontra-se em linha com o desenvolvimento económico, acrescentando que é pouco provável manter o mesmo ritmo de crescimento do ano passado, o qual registou um aumento de 9,5% do Produto Interno Bruto face ao ano anterior.

De acordo com Zhang Xueying, economista do Centro do Estado, o aumento do crescimento económico em Julho não significa que houve melhorias significativas na eficiência económica das empresas industriais, as quais continuam a suportar grandes pressões dos preços elevados da energia e matérias-primas. «As empresas não conseguem transferir os altos custos para os preços dos produtos finais. Preferem perder lucro em vez de posicionamento no mercado, no seio de uma competição feroz», afirmou Zhang.

Entre Janeiro e Julho, os preços da energia e matérias-primas subiram 9,7%, face ao ano anterior, e os preços de produção aumentaram 5,6%. Durante o mesmo período, os preços do consumidor cresceram 2,2%. Zhang disse que os preços elevados de produtos como o petróleo e o aço, bem como a competição feroz, continuarão a reduzir as margens de lucro das empresas industriais no futuro.

Os lucros das empresas estatais e daquelas maioritariamente detidas pelo Estado cresceram 18,5% durante os primeiros sete meses, face ao mesmo período do ano passado, enquanto as empresas detidas igualmente pelo Estado e particulares viram os seus lucros subirem 29,1%.

Segundo dados avançados pela imprensa chinesa, algumas empresas com financiamento estrangeiro reduziram os seus lucros para fugir aos impostos. Porta-vozes da Administração Estatal de Impostos estimam que as empresas com financiamento estrangeiro ficam a dever ao Estado cerca de 30 mil milhões de yuan (3,02 mil milhões de euros) em impostos todos os anos.