Início Notícias Mercados

China continua em decréscimo

A desaceleração do crescimento económico tem vindo a sentir-se um pouco por todo o mundo. A China não é exceção – a contração das importações pelo quinto mês consecutivo e a acentuação da queda das exportações durante o mês de setembro têm aprofundado a crise económica do país.

Apesar das tentativas de suspensão da guerra comercial entre os EUA e a China, vários analistas acreditam que a recuperação da balança comercial chinesa ainda tem um longo caminho a percorrer, dado o contexto de contração da economia global. Em meados de outubro, o presidente dos EUA, Donald Trump, apresentou a primeira fase de um acordo para encerrar a disputa comercial e já anteriormente havia suspendido o acréscimo de uma nova tarifa prevista para 15 de outubro. Contudo, enquanto se mantiverem as tarifas sobre as importações em ambas as superpotências, os esforços para reanimar a economia não irão surtir grande efeito, defendem alguns analistas.

A previsão da Reuters apontava para uma descida de 3% das exportações em setembro – os resultados indicam mais 0,2 pontos percentuais, perfazendo uma queda de 3,2%, relativamente ao período homólogo anterior, o que representa a maior diminuição desde fevereiro. A Capital Economics salienta que «a procura global decresceu durante o mês passado, acentuando a pressão das tarifas americanas que entraram em vigor em setembro».

Por outro lado, o abrandamento das exportações pode justificar-se pela antecipação por parte das empresas chinesas ao aumento das tarifas de setembro, o que se traduziu nos dados registados nos meses de julho e agosto. Ting Lu, economista-chefe para a China na Nomura, prevê que a contração das exportações «será provavelmente a maior resistência ao crescimento económico da China nos próximos meses, à medida que aumentam os impactos das tarifas».

No que diz respeito às importações, em setembro houve uma queda de 8,5% (mais 2,9 pontos percentuais do que em agosto e mais 0,4 pontos percentuais do que o previsto), assumindo-se como a mais baixa taxa desde maio. Contudo, esta descida não foi transversal a todos os setores – as importações de metais industriais registaram um aumento, potenciado pela procura estável das siderurgias. Em contrapartida, Ting Lu destaca que as baixas importações no sector do processamento de matérias-primas bem como a diminuição dos preços globais de commodities poderão ter desempenhado um papel na depreciação geral das importações.

Apesar dos esforços para impulsionar o crescimento, a procura interna tem permanecido limitada, dada a incerteza económica que pesa sobre as decisões comerciais e investimentos das empresas e consumidores.

Apesar da desaceleração, há superavit

Durante o mês de setembro, a China registou um superavit de 39,65 mil milhões de dólares (35,9 mil milhões de euros), mais 4,81 mil milhões de dólares do que o excedente comercial do mês anterior e mais 6,35 mil milhões de dólares do que o previsto. No entanto, no caso específico das relações com os EUA, a tendência inverte-se: menos 1,08 mil milhões de dólares do que o superavit de agosto.

Este resultado é sustentado pela queda de 10,7% das exportações chinesas para o território americano durante os primeiros nove meses do ano, comparativamente com 2018, acompanhadas por uma descida das importações americanas globais de 26,4%.

Assim, o final do terceiro trimestre de 2019 marcou um momento decisivo na balança comercial da economia mundial, devido ao acréscimo das tarifas americanas de 15% sobre mais de 125 mil milhões de dólares de importações chinesas, bem como às consequentes retaliações de Pequim. Embora Donald Trump não tenha avançado com as novas taxas previstas para 15 de outubro, também não evidenciou qualquer sinal no sentido de prevenir as planeadas para dezembro. A Capital Economics defende que, neste contexto, torna-se «difícil retirar algum conforto dos mais recentes sinais de progresso, dados os registos de várias tréguas aparentes nos últimos meses, que terminaram abruptamente com mais uma subida repentina das tensões comerciais».

Ainda assim, Li Kuiwen, porta-voz da autoridade alfandegária chinesa, afirma que a estabilidade da economia chinesa lhe proporcionou uma forte proteção contra os desafios externos. Por sua vez, a UBS espera uma crescente pressão no mercado de trabalho, já que o impacto das últimas tarifas dos EUA se tem infiltrado entre os produtores. «A altura em que se verificará perdas de emprego significativas será potencialmente desde dezembro a março de 2020» e estarão mais concentradas «nos poucos sectores que apresentam maior exposição à procura externa, como os têxteis, computadores e eletrónicos e equipamentos elétricos, entre outros», explica a empresa de serviços financeiros.

Os analistas acreditam que o crescimento económico da China sofreu uma desaceleração mais forte no terceiro trimestre, atingindo, entre abril e junho, uma queda de 6,2%, o mais baixo em quase 30 anos de análise, ameaçando violar o valor mínimo estipulado anualmente pelo governo, que se situa nos 6% – esta taxa poderá ainda diminuir para cerca de 5% em 2020.

Apesar das tentativas de suspensão da guerra comercial entre os EUA e a China, vários analistas acreditam que a recuperação da balança comercial chinesa ainda tem um longo caminho a percorrer, dado o contexto de contração da economia global. Em meados de outubro, o presidente dos EUA, Donald Trump, apresentou a primeira fase de um acordo para encerrar a disputa comercial e já anteriormente havia suspendido o acréscimo de uma nova tarifa prevista para 15 de outubro. Contudo, enquanto se mantiverem as tarifas sobre as importações em ambas as superpotências, os esforços para reanimar a economia não irão surtir grande efeito, defendem alguns analistas.

A previsão da Reuters apontava para uma descida de 3% das exportações em setembro – os resultados indicam mais 0,2 pontos percentuais, perfazendo uma queda de 3,2%, relativamente ao período homólogo anterior, o que representa a maior diminuição desde fevereiro. A Capital Economics salienta que «a procura global decresceu durante o mês passado, acentuando a pressão das tarifas americanas que entraram em vigor em setembro».

Por outro lado, o abrandamento das exportações pode justificar-se pela antecipação por parte das empresas chinesas ao aumento das tarifas de setembro, o que se traduziu nos dados registados nos meses de julho e agosto. Ting Lu, economista-chefe para a China na Nomura, prevê que a contração das exportações «será provavelmente a maior resistência ao crescimento económico da China nos próximos meses, à medida que aumentam os impactos das tarifas».

No que diz respeito às importações, em setembro houve uma queda de 8,5% (mais 2,9 pontos percentuais do que em agosto e mais 0,4 pontos percentuais do que o previsto), assumindo-se como a mais baixa taxa desde maio. Contudo, esta descida não foi transversal a todos os setores – as importações de metais industriais registaram um aumento, potenciado pela procura estável das siderurgias. Em contrapartida, Ting Lu destaca que as baixas importações no sector do processamento de matérias-primas bem como a diminuição dos preços globais de commodities poderão ter desempenhado um papel na depreciação geral das importações.

Apesar dos esforços para impulsionar o crescimento, a procura interna tem permanecido limitada, dada a incerteza económica que pesa sobre as decisões comerciais e investimentos das empresas e consumidores.

Apesar da desaceleração, há superavit

Durante o mês de setembro, a China registou um superavit de 39,65 mil milhões de dólares (35,9 mil milhões de euros), mais 4,81 mil milhões de dólares do que o excedente comercial do mês anterior e mais 6,35 mil milhões de dólares do que o previsto. No entanto, no caso específico das relações com os EUA, a tendência inverte-se: menos 1,08 mil milhões de dólares do que o superavit de agosto.

Este resultado é sustentado pela queda de 10,7% das exportações chinesas para o território americano durante os primeiros nove meses do ano, comparativamente com 2018, acompanhadas por uma descida das importações americanas globais de 26,4%.

Assim, o final do terceiro trimestre de 2019 marcou um momento decisivo na balança comercial da economia mundial, devido ao acréscimo das tarifas americanas de 15% sobre mais de 125 mil milhões de dólares de importações chinesas, bem como às consequentes retaliações de Pequim. Embora Donald Trump não tenha avançado com as novas taxas previstas para 15 de outubro, também não evidenciou qualquer sinal no sentido de prevenir as planeadas para dezembro. A Capital Economics defende que, neste contexto, torna-se «difícil retirar algum conforto dos mais recentes sinais de progresso, dados os registos de várias tréguas aparentes nos últimos meses, que terminaram abruptamente com mais uma subida repentina das tensões comerciais».

Ainda assim, Li Kuiwen, porta-voz da autoridade alfandegária chinesa, afirma que a estabilidade da economia chinesa lhe proporcionou uma forte proteção contra os desafios externos. Por sua vez, a UBS espera uma crescente pressão no mercado de trabalho, já que o impacto das últimas tarifas dos EUA se tem infiltrado entre os produtores. «A altura em que se verificará perdas de emprego significativas será potencialmente desde dezembro a março de 2020» e estarão mais concentradas «nos poucos sectores que apresentam maior exposição à procura externa, como os têxteis, computadores e eletrónicos e equipamentos elétricos, entre outros», explica a empresa de serviços financeiros.

Os analistas acreditam que o crescimento económico da China sofreu uma desaceleração mais forte no terceiro trimestre, atingindo, entre abril e junho, uma queda de 6,2%, o mais baixo em quase 30 anos de análise, ameaçando violar o valor mínimo estipulado anualmente pelo governo, que se situa nos 6% – esta taxa poderá ainda diminuir para cerca de 5% em 2020.