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China copia lingerie francesa

A economia francesa tem que respeitar as quotas de exportação têxtil procedente da China depois de firmados os acordos comunitários, mas tem resistido, até agora, à concorrência asiática no mercado da lingerie. Para França, um sutiã, nãos se trata de um produto têxtil qualquer, mas sim a compilação de sedução, vitrina oculta e um símbolo de erotismo como mostrou há algumas semanas o Salão Internacional de Lingerie de Paris, onde desfilaram as correntes de moda eestudos de mercado. O problema, como vem sendo habitual, é a aparição de um repertório íntimo chinês a preços muito mais acessíveis e com novas pretensões estéticas. A mentalidade asiática não compreendia o barroquismo de um sutiã nem a delicadeza de um ligueiro porque cada um destes artigos não se viam, mas os designers chineses, peritos na clonagem têxtil e na assimilação da mentalidade alheia, compreenderam o peso dos factores culturais e sociológicos deste tipo de produtos. Philippe Grodner em representação da empresa Simone Pérèle referiu que «O mercado da lingerie está completamente sob a influência chinesa. Assim, a nossa solução passa por evitar a guerra dos preços e por nos centrarmos na qualidade. De uma forma ou de outra, a lingerie tem que ser um produto exclusivo, relacionado com um mercado peculiar. Não podemos fazer frente à mão-de-obra chinesa. E acho que esse nem deve ser o nosso objectivo».As grandes empresas francesas decidiram enfrentar a concorrência chinesa através dos meios de comunicação com custosas campanhas televisivas em nome de uma mensagem: «A lingerie francesa é chique, luxuosa e de qualidade. Você aceita imitações?». O objectivo é chegar a obter a solidariedade dos franceses frente à ameaça chinesa, apesar desta já ter produzido movimentos de fusão e de intercâmbio accionista entre algumas das grandes empresas.