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China domina lã australiana

Os incêndios, o Covid-19 e o confinamento têm trazido desafios adicionais aos produtores de lã australianos, refletindo-se numa quebra da procura, dominada essencialmente pela China, e dos preços da fibra. A AWI, contudo, acredita que a sustentabilidade da lã lhe garante um futuro risonho a longo prazo.

[©AWI]

A presidente do conselho de administração da Australian Wool Innovation (AWI), Colette Garnsey, revelou na conferência anual da organização que a lã ainda tem um futuro brilhante a longo prazo depois de um ano de 2020 difícil para muitos produtores.

A AWI é detida pelos produtores de lã australianos e é a entidade responsável pela investigação, desenvolvimento e comercialização, sendo ainda detentora da marca Woolmark.

«Após os devastadores incêndios florestais no verão, o Covid-19 e as respostas dos governos de todo o mundo para o conter, 2020 é um ano completamente diferente de tudo o que a indústria da lã enfrentou no passado», afirmou Garnsey, citada num comunicado da AWI. «Os nossos principais mercados, da China à Europa do Norte, estiveram diversas vezes na linha da frente da pandemia, as cadeias de aprovisionamento locais e mundiais foram severamente afetadas e a procura pela nossa fibra caiu fortemente devido à mudança no consumidor impulsionada pelo Covid-19», explicou.

Todos estes fatores, admitiu, têm-se refletido no preço da lã, que, após uma queda significativa este ano, está a registar «alguma recuperação graças ao apoio sólido subjacente que esperamos que seja mantido». Na semana terminada a 20 de novembro, o indicador de referência Eastern Market Indicator desceu 0,24 dólares, para 8,45 dólares (cerca de 7,12 euros), apontou a AWI – uma queda acentuada face aos 11,11 dólares em janeiro.

«A chuva substancial no sudeste australiano nos últimos meses tem sido uma bênção para muitos produtores de lã depois de anos de seca», reconheceu Colette Garnsey. Contudo, sublinhou, «os produtores de lã no oeste [da Austrália] continuam em seca severa e quaisquer benefícios que a meteorologia possa ter trazido à indústria foram mais do que contrabalançados pelo impacto do Covid-19».

A presidente do conselho de administração da AWI adiantou na reunião que os efeitos da seca, os preços mais baixos da lã e outros fatores resultaram numa queda de 45% do volume de negócios da AWI em 2019/2020.

Promessa de um futuro melhor

Há ainda muita incerteza na indústria mundial a curto prazo, sobretudo tendo em conta que grandes partes da Europa e da América do Norte estão a regressar ao confinamento à medida que avançam para o inverno. No entanto, assegurou, «os ventos favoráveis a longo prazo para a nossa fibra não diminuíram, tendo em conta a sua sustentabilidade, rastreabilidade, usabilidade e durabilidade».

[©AWI]
O CEO da AWI, Stuart McCullough confirmou na mesma assembleia que a procura por lã australiana em 2020 veio sobretudo da China, embora a AWI esteja a procurar também outros mercados.

«A China é o maior cliente da lã australiana por muitas razões, incluindo o tamanho da sua população, o clima e a crescente riqueza», enumerou. «É um parceiro único do ponto de vista da produção, mas também do ponto de vista do consumo, já que está agora a consumir internamente metade da lã australiana que compra. Em termos de grandes economias a recuperar da disrupção causada pelo Covid-19, a China está a liderar, de longe. Estamos a aproveitar isso o melhor possível com a nossa atual campanha de marketing, que está a criar procura por lã e, mais importante, a levar a mais vendas», garantiu.

Stuart McCullough desvendou ainda que a AWI está a prosseguir há oito anos com a estratégia “Mercados Emergentes”, que promoveu uma subida no processamento e no consumo de lã em países como a Índia, o Vietname, o Bangladesh e o Sri Lanka.