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China e EUA discutem a disputa sobre os têxteis

A China e os EUA estão em negociações sobre a possibilidade de resolver a questão relacionada com o volume de importações de produtos têxteis chineses no mercado norte-americano. Esta disputa levou recentemente a administração Bush a limitar o volume de importações em diversas categorias de artigos, recorrendo à utilização de medidas de salvaguarda (ver notícia no Portugal Têxtil).

As negociações foram realizadas entre os responsáveis comerciais dos dois blocos através de vídeo-conferência. De acordo com as declarações do porta-voz do representante norte-americano para o Comércio, na base das negociações encontram-se em discussão as propostas norte-americanas de limitação das exportações chinesas em sete categorias de artigos têxteis e de vestuário. O período de 30 dias previsto para o processo de consulta sobre a aplicação das restrições quantitativas termina durante os próximos dias.

O encontro entre EUA e China surgiu a apenas alguns dias após o compromisso assumido entre a União Europeia (UE), através do Comissário Europeu para o Comércio, Peter Mandelson, e a China, por intermédio do ministro do comércio chinês, Bo Xilai (ver notícia no Portugal Têxtil). Com base neste acordo, foram estipulados limites sobre o volume das exportações chinesas e respectivo crescimento, para dez categorias de artigos têxteis e de vestuário.

De acordo com o divulgado pela Bloomberg, as empresas chinesas exportadoras de artigos têxteis vão estar temporariamente sujeitas a pedidos de licenças de exportação. Com efeito a partir do dia 20 de Julho, esta medida é da iniciativa do Governo de Pequim. Segundo a informação apresentada pelo Ministério do Comércio, as licenças vão acelerar a aplicação de mudanças na forma como as exportações têxteis aumentam e estabilizar a gestão das exportações.

O novo sistema, a ser oficialmente apresentado pelas autoridades chinesas durante os próximos dias, deverá passar por um apertado sistema de monitorização capaz de assegurar que as quotas estipuladas com a UE não serão ultrapassadas.

De acordo com o divulgado pelo International Herald Tribune, é provável que os EUA aceitem um acordo semelhante ao assinado entre a China e a UE. Actualmente ainda não existe uma informação oficial por parte dos EUA sobre este eventual acordo com a China. No entanto, existem fortes probabilidades que do lado chinês haja também a aceitação de um sistema voluntário de limitação das exportações de vestuário para os EUA, com as autoridades chinesas a monitorizarem o volume de exportações e as empresas chinesas a submeterem-se a um sistema de quotas.

Os produtores têxteis norte-americanos consideram que o acordo estabelecido pela UE não é suficientemente abrangente, requerendo medidas ainda mais apertadas no controlo das trocas comerciais de vestuário chinês até 2008, de acordo com o referido pelo Director-geral da AMTAC (American Manufacturing Trade Action Coalition), Auggie Tantillo.

No entanto, os responsáveis comerciais chineses referiram ter esperança que os EUA aceitem um acordo semelhante ao estabelecido com a UE. Mas as autoridades chinesas também reconhecem a maior agressividade comercial dos EUA e a vulnerabilidade do Governo norte-americano face às pressões exercidas pelos produtores têxteis norte-americanos.

Face à actual conjuntura, que tende a limitar as exportações chinesas com destino ao mercado norte-americano, de acordo com o International Herald Tribune, algumas empresas chinesas já estão a enviar vestuário para países terceiros, como Filipinas e países do Médio Oriente, de forma a evitar as novas quotas.