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China e EUA recuperam mais rápido

Os EUA e a China são os países que apontam para uma recuperação económica mais animadora, com uma previsão de apenas três meses para atingirem os níveis do pré-pandemia, revela um novo estudo que concluiu ainda que a ITV faz parte dos sectores mais afetados pela pandemia.

[©Sourcing Journal]

Uma análise da IHS Markit mostra que as empresas americanas deverão liderar a recuperação das perdas na economia durante o bloqueio gerado pela chegada do novo coronavírus, ainda que as empresas chinesas tenham sofrido menor impacto.

Em média, as empresas esperam reaver os resultados perdidos até ao final do ano, com uma previsão de recuperação de apenas três meses para os EUA e para a China. O maior tempo de retoma neste sentido está atribuído ao Reino Unido, que poderá demorar quase nove meses a recuperar, segundo o novo estudo. Serviços como os hotéis e restaurantes, que exigem um maior contacto com o consumidor, apesar de todas as normas de segurança aplicadas, estão a antecipar períodos longos para a recuperação e têm uma maior probabilidade de experienciar perdas contínuas nos rendimentos.

Todos os sectores indicam que os resultados obtidos foram inferiores aos valores registados no pré-pandemia, com as maiores perdas observadas nos hotéis e restaurantes, nos transportes e na indústria têxtil e de vestuário. Pelo contrário, as empresas de entregas, serviços de telecomunicações, plásticos e químicos e ainda a indústria alimentar e de bebidas foram os sectores que melhores resultados obtiveram durante a crise sanitária.

«A pesquisa sugere, em média, um tempo surpreendentemente curto de retoma para as empresas, o que vai ajudar a fomentar as expectativas de uma recuperação em V para muitos mercados», afirma Chris Williamson, economista-chefe da IHS Markit. «As empresas nos EUA e na China estão particularmente otimistas, comparativamente com as empresas japonesas, indianas e italianas, que estão especialmente pessimistas, mesmo que para estes países o prazo médio de recuperação previsto seja de meses e não de anos. As expectativas positivas são animadoras, mas os retrocessos ao longo do caminho, como está a acontecer nos EUA, são prováveis», destaca.

[©BBC]
Williamson refere também que a procura baixa constante e as medidas de distanciamento social em vigor até que se encontre um tratamento ou uma vacina eficaz para combater o vírus fazem parte dos vários desafios que as empresas terão de enfrentar. «Caminhos de recuperação mais longos estão previstos para as empresas na área de hotelaria, restauração, vestuário, transportes e produção de veículos, o que reflete a necessidade contínua do distanciamento social, as ruas pouco movimentadas e a falta de procura relativamente às viagens e ao turismo», aponta o economista-chefe.

O estudo da IHS Markit, realizado em junho, pediu às empresas para reportarem se os resultados tinham aumentado ou diminuído desde o início da pandemia e também para providenciarem a informação de quando é que as perdas sofridas estariam totalmente recuperadas, caso isso se verificasse. O inquérito foi dirigido, em simultâneo, para 12 países e contou com respostas de 6.887 empresas, excluindo entidades governamentais, da construção, energia e retalho.

Cerca de dois terços do número total das empresas participantes no estudo mencionaram ter resultados menores que os registados no nível pré-pandemia, com apenas 8% a verificarem um aumento no mês de junho em relação aos valores conseguidos antes do surto. 27% constataram que os resultados atuais correspondem aos picos pré-pandemia, o que significa que pouco mais de um terço das empresas a nível global tem resultados equivalentes ou superiores aos máximos do pré-pandemia.

No entanto, 65% indicaram que os resultados continuaram abaixo dos picos pré-pandemia.

[©Insider]
As empresas do Império do Meio obtiveram as menores perdas de rendimentos comparativamente com os resultados registados antes da disseminação do Covid-19, visto que a economia chinesa entrou em bloqueio antes de todos os países, motivo pelo qual também iniciou a retoma mais cedo, depois seguem-se os EUA – as duas únicas economias com uma previsão de retoma acima da média, escreve o Sourcing Journal.

As maiores perdas foram registadas nas empresas da Índia e do Brasil, duas economias que continuaram a enfrentar restrições rígidas em junho face à contenção da pandemia, de acordo com informações da IHS.

Segundo o estudo, o prazo médio de recuperação para 62% das empresas que ainda não sentiram retoma será de cinco meses, uma previsão intermédia, dado que o Reino Unido precisará de cerca de nove meses e os EUA e a China de apenas três meses, tendo, por isso, os prognósticos mais positivos.