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China em queda livre

Em fevereiro, a performance do comércio chinês foi muito pior do que aquilo que os economistas previram, com as exportações a apresentarem a queda mais acentuada dos últimos seis anos.

As exportações caíram 25,4% face ao ano anterior, o dobro do que os mercados temiam, com a procura a deslizar nos principais mercados da China, enquanto as importações caíram 13,8%, o 16º mês de declínio, revelou a agência Reuters.

A queda das exportações foi a maior desde maio de 2009, todavia, os economistas informaram que o declínio não aponta necessariamente para um agravamento significativo das condições económicas, considerando a redução drástica de atividade durante a temporada do Ano Novo Lunar, que aconteceu no início de fevereiro.

Ainda assim, as exportações comparáveis de janeiro-fevereiro, que deveriam resolver alguns dos efeitos da estação festiva, caíram 17,8% e as importações 16,7%, apontando para uma procura persistentemente fraca em casa e no exterior, a pesar na economia da maior nação comercial do mundo.

«As exportações foram muito fortes em fevereiro do ano passado porque o Ano Novo Lunar começou tarde e grande parte da interrupção habitual da temporada foi empurrada para março. Assim, a implicação é que, provavelmente, assistiremos a uma reversão significativa e números mais fortes no próximo mês», defendeu Julian Evans-Prichard, economista na Capital Economics.

Os analistas consultados pela Reuters esperavam que as exportações de fevereiro apresentassem uma queda de 12,5%, com as importações com uma baixa de 10%. A China registou um superavit comercial de 32,59 mil milhões de dólares para o mês (aproximadamente 28,85 mil milhões de euros), comparativamente aos 63,29 mil milhões em janeiro, de acordo com a General Administration of Customs.

Ano de 2016 já em risco?

Depois de terem falhado, repetidamente, nos objetivos comerciais dos últimos anos, os líderes chineses não revelaram uma estimativa para o crescimento do comércio em 2016, refletindo uma profunda incerteza sobre a procura global. O ministro de comércio Gao Hucheng informou no mês passado que estava confiante de que as condições comerciais da China iriam estabilizar e melhorar em 2016, embora a maioria dos analistas não preveja melhorias.

Os líderes da China estabeleceram uma meta de crescimento económico entre 6,5% e 7% para 2016 quando abriram a sessão anual do parlamento na semana passada, em comparação com 6,9% no ano passado, a expansão mais lenta do país num quarto de século. Como parte dos esforços para estimular a atividade, os políticos do país propuseram elevar o deficit fiscal de 2016 a 3% do PIB, em comparação aos 2,3% de 2015.

Os economistas também esperam reduções adicionais nas taxas de juros deste ano e na quantidade de dinheiro que os bancos devem manter em reserva. No final de fevereiro, o banco central cortou nos requisitos da taxa de reserva bancária, libertando cerca de 100 mil milhões de dólares em dinheiro para empréstimos.

«Globalmente, os dados do comércio atuais, juntamente com os principais indicadores, sugerem que o ritmo de crescimento enfraqueceu ainda mais em janeiro-fevereiro», referiram os economistas do banco japonês Nomura. «Mantemos a nossa previsão de crescimento real do PIB de 5,8% em 2016 em relação aos 6,9 ​% de 2015».

Premier Li Keqiang reconheceu no parlamento que os líderes enfrentam «uma dura batalha» para manter a economia com um crescimento de, pelo menos, 6,5% durante os próximos cinco anos, enquanto se esforçam para criar mais empregos e reestruturar as empresas estatais.