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China em queda no sourcing

A quota chinesa nas importações dos EUA está a cair, sobretudo em artigos de trabalho intensivo como calçado e vestuário, e o sourcing está a mudar para outros países no sudeste da Ásia e na América Central, segundo um novo estudo. A pesquisa mostra que a quota da China continental nas importações de calçado caiu de 75% no primeiro trimestre de 2010 para 73% no primeiro trimestre de 2011. A quota da China nas importações americanas de vestuário de homem caiu de 25% para 22% no primeiro trimestre de 2011, em comparação com o primeiro trimestre de 2010. E no vestuário de senhora e criança, a quota de mercado da China caiu de 34% para 31% Contudo, a China continua a ser, de longe, o maior fornecedor de mercadorias em contentor para os EUA e a sua posição não está a sofrer uma erosão significativa. Durante o primeiro trimestre, as importações da China representaram 45% de todas as importações dos EUA, uma quebra de 1% em comparação com o primeiro trimestre de 2010. O segundo maior fornecedor de produtos em contentor no primeiro trimestre foi a Coreia do Sul, com uma quota de 4%, seguido do Japão, com uma quota de 3,7%. Em 2010, as importações americanas de calçado da China recuperaram 11% em comparação com 2009, mas a procura estrangeira geral dos EUA por calçado aumentou 16%. O Vietname e a Indonésia foram mercados que registaram maiores taxas de crescimento em comparação com a China, indicando mudanças no sourcing para estes mercados. No caso do vestuário de homem, a divisão do sourcing está a favorecer o subcontinente indiano, liderado pelo Bangladesh, e a América Central, liderado pelas Honduras. As importações de vestuário de homem do subcontinente indiano e da América Central aumentaram 22% e 57%, respectivamente, nos três meses de Janeiro a Março de 2011. Já as importações da China no primeiro trimestre caíram 1%, uma significativa variação na performance. No que diz respeito ao vestuário de senhora e criança, os envios da China estão claramente em baixa à medida que aumenta os de outros mercados de sourcing. As importações caíram globalmente 5% no primeiro trimestre de 2011, enquanto as da China caíram 12% durante esse mesmo período. As importações nesta categoria de países do sudeste asiático, lideradas pelo Vietname e pelo Cambodja, mostraram um forte crescimento trimestral a uma taxa de 7%. Os dados também ilustram uma mudança na produção dentro da China, do sul do país para as regiões do norte e do interior, onde os produtos saem do país através do Rio Yangtze e dos portos de Xangai e Ningbo. A mudança reflecte mudanças em curso no mercado de trabalho da China, à medida que aumentam os salários e a população activa encontra mais opções de emprego, mudando a economia chinesa do seu motor de exportação para um modelo pró-consumo. A valorização da moeda chinesa está também a reduzir as já curtas margens de lucro para os produtores de artigos de valor reduzido como calçado e vestuário. «Os resultados desta análise sublinham a mudança na direcção das tendências das importações americanas de calçado e vestuário da China, de alta para estagnação para baixa, à medida que as empresas de produção deixam o país devido ao aumento dos salários», conclui Mario Moreno, economista do The Journal of Commerce/Piers e autor do estudo.