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China está mais cara – Parte 1

Os produtores chineses de vestuÁrio devem aumentar os preços de forma significativa durante este ano, fruto de uma nova legislação laboral que traz um aumento dos custos. A lei entrou em vigor no dia 1 de Janeiro e obriga os empregadores a pagar benefícios mais elevados de segurança social e de habitação a todos os trabalhadores. Também serÁ mais difícil para as empresas despedirem trabalhadores, eliminando assim a flexibilidade de que muitas empresas beneficiaram para satisfazer as variações na procura. De acordo com a previsão de um industrial, a nova legislação deverÁ aumentar os custos operacionais em 30%, resultado da estimativa de um aumento de seis vezes nos benefícios normalmente atribuídos a cada trabalhador. A nova legislação surge num momento em que a China começa a ser menos competitiva aos olhos do sector transformador. Os salÁrios têm aumentado entre 10 e 15% ao ano e devem manter esta proporção ao longo de 2008. Apesar da mão-de-obra continuar barata em relação aos padrões ocidentais, este factor corresponde normalmente a metade dos custos de produção de uma peça de vestuÁrio, originando um substancial aumento de dois dígitos. As empresas têxteis também enfrentam um significativo crescimento nos custos de exportação. As reduções nas taxas aplicadas aos têxteis diminuíram de 13 para 11% em 2007, sendo de esperar a existência de novos cortes. Pequim estÁ a cortar os benefícios para algumas exportações em sectores considerados como sendo de energia intensiva e de baixo valor acrescentado. Para além de tudo isto, as empresas estão também a ser atingidas pela escalada do yuan, que valorizou cerca de 14% face ao dólar desde 2005. Os responsÁveis industriais prevêem o encerramento de mais empresas de vestuÁrio ao longo do ano e uma maior consolidação da indústria. E apesar de Pequim alegar compreender os problemas da indústria, não é de esperar que retroceda nas políticas destinadas a corrigir o desequilíbrio comercial que existe com os seus principais parceiros: a União Europeia e os Estados Unidos. A política governamental visa aumentar os custos de exportação, procurando assim promover a estrutura industrial do país e fomentar a sua consolidação, conforme refere Arthur Kroeber, um economista em Pequim da empresa de consultoria Dragonomics. A própria indústria têxtil e de vestuÁrio, representada pelo China National Textile & Apparel Council (CNTAC), pondera um resultado positivo para esta tendência. Sun Huaibin, porta-voz do CNTAC, refere que inevitavelmente serão encerradas cada vez mais empresas pequenas, mas que esta tendência serÁ benéfica para a indústria no longo prazo.