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China fecha-se em copas

Como parte da política industrial “China Manufacturing 2025”, apresentada em maio de 2015, o governo chinês espera que as indústrias locais detenham até 80% do mercado doméstico em 2025. Num relatório recentemente divulgado, a Câmara do Comércio da União Europeia na China afirmou que os esforços para alcançar esta meta poderiam acabar «por intensificar as tensões com os parceiros comerciais internacionais».

A China pretende atingir objetivos específicos no mercado nacional e internacional em 10 sectores e alcançar a autossuficiência em alguns deles, o que significa que o país planeia precisar muito menos de contribuições externas, avança o Sourcing Journal. A China reconhece, de acordo com o relatório, que os seus dias de crescimento a dois dígitos na produção chegaram ao fim por culpa dos métodos tradicionais ineficientes e da falta de manufatura high-end, razão pela qual está a investir no seu tecido industrial.

Embora a produção de têxteis e vestuário não seja especificamente descrita como um dos sectores vitais no novo plano chinês, as tecnologias de automação, robótica e equipamentos eletrónicos são-no e, se a China – que ainda responde com uma importante quota do vestuário mundial – deixar de precisar das contribuições ocidentais para fazer roupa, as empresas da indústria podem conhecer o sucesso.

A Câmara do Comércio da União Europeia, por seu lado, considera o plano 4.0 da indústria chinesa um «plano de substituição de importações em larga escala», que provavelmente nacionalizará as indústrias, não promovendo a abertura bilateral e deixando de estimular a concorrência internacional.

«Isso coloca sérios problemas, não só para as empresas europeias, mas também para grande parte do sector privado da China e da economia em geral», afirmou o presidente da Câmara do Comércio da União Europeia, Jörg Wuttke.

O organismo europeu defende um tratamento igualitário para as empresas estrangeiras no plano chinês para 2025 e, por agora, está a exortar as empresas ocidentais a tirarem vantagem da liderança que podem ter sobre a China em termos de tecnologias.

À margem das novas políticas, a China continua a experimentar a desaceleração do crescimento. O país reduziu a previsão de crescimento económico de 2017 para 6,5%, abaixo de uma meta anterior entre 6,5% e 7%. O objetivo, agora, será enfrentar a crescente dívida e, com o governo a gastar menos, a China vai depender mais do consumo interno para o crescimento.

Para ajudar a melhorar as condições internas, o governo afirmou que reduzirá os encargos fiscais das empresas em 350 mil milhões de yuans (aproximadamente 47 mil milhões de euros) este ano, de acordo com a Reuters. Juntamente com a redução dos encargos fiscais, a China espera diminuir a sua capacidade. As empresas ineficientes com capacidade excedentária serão encerradas e a construção poderá ser inclusivamente interrompida em projetos já em atividade. O país procura ainda criar mais de 11 milhões de novos postos de trabalho ao longo do corrente ano.