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China: fora de moda até quando?

Decorreu, de 26 a 30 de Março, o Fashion China Internacional, evento que configura a Semana de Moda de Pequim, com dez anos de existência e é que considerado como o grande encontro de moda da China. Participaram 120 estilistas de 24 países, a maioria estreante, e 25 marcas chinesas e estrangeiras. Segundo a organização, o evento mostrou principalmente a moda futurista e tendências. Foram realizadas ainda palestras paralelas pelas marcas chinesas mais famosas, concurso de jovens estilistas e concurso de modelos masculinos. Uma coisa é certa: a China pode estar “fora de moda”, mas quer superar o atraso. Por enquanto, o país exporta produtos, mas não marcas, e a qualidade que se pode observar nas passarelas chinesas ainda está muito distante da qualidade observada nas passarelas ocidentais e japonesas (ver artigo PT). Mas a vocação é de modernidade e as autoridades chinesas tudo estão a fazer para promover esta vocação, investindo, por exemplo, na formação de estilistas e na organização de eventos de moda. É um facto que as marcas locais procuram um espaço cada vez maior no mercado chinês, mas o país ainda precisa de tempo para desenvolver um sector próprio de marcas. Os estilistas que ganharam fama no país, contam com um forte apoio da publicidade, mas não têm um conteúdo sustentado. Isto é particularmente notório no facto de praticamente não haver diferença entre as várias marcas. Na China actual, o sector da moda só pensa a curto prazo, não havendo ainda base para formar profissionais, como ocorre no Ocidente. Por outro lado, o peso das marcas estrangeiras de roupas de luxo é reflexo de uma cultura. E não pode ser esquecida a tão conhecida questão das falsificações. Toda a gente sabe que os chineses, até agora, têm tido mais sucesso copiando marcas do que criando. Mas, lentamente, vão surgindo ideias tão originais como interessantes, e quando recuperar sua identidade cultural, com base na sua tradição histórica, a China pode tornar-se num autêntico laboratório da moda. A tradicional moda chinesa estava completamente “amarrada” a várias normas que indicavam o status social. Por exemplo, as cores simbolizavam profissões, e os altos funcionários usavam enfeites especiais para viagens oficiais e actos na corte. Mas, hoje, estilistas chineses formados fora do país, como Vivienne Tam, em Nova York, ou Flora Cheong-Lee, em Hong Kong, estão a reabilitar a moda tradicional chinesa e a fundi-la com outras culturas, iniciando uma valorização do passado do país. Simultaneamente, a China, ao despontar como uma potência emergente, apesar da elite ainda se vestir com marcas estrangeiras, surge uma tendência de uma minoria, que encontra pouca resistência, e que procura uma identidade cultural no confuso país asiático.