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China lidera importações de vestuário dos EUA

Apesar das preocupações em relação à guerra comercial entre a China e os EUA, novos dados revelam que o país asiático continua a dominar o fornecimento de vestuário aos EUA, com o volume de importações a aumentar e os preços por unidade a diminuir.

Os dados anuais do Department of Commerce’s Office of Textiles (OTEXA) confirmam que a China continua a ser, de longe, o maior fornecedor de vestuário dos EUA, com uma quota de mercado de 41,9%, impulsionada pela dimensão dos seus fornecedores, as suas capacidades, os níveis de qualidade, a variedade dos produtos e a abrangência da sua cadeia de provisionamento.

Em 2018, as importações da China para os EUA cresceram 1,34% em relação ao ano anterior, para 27,4 mil milhões de dólares. Em termos de volume, houve um aumento de 2,7%, para o equivalente a 11,67 mil milhões de metros quadrados. Além disso, os preços por peça de vestuário chinês são os mais baixos do top 10 de fornecedores dos EUA e diminuiu, em 2018, pelo sexto ano consecutivo.

Ao longo do ano, o preço por unidade de vestuário do país asiático fixou-se nos 2,35 dólares, uma queda de 1,3% em relação ao ano anterior. A China é, aliás, a única nação entre os 10 maiores fornecedores de vestuário dos EUA que registou uma descida média nos preços durante is últimos anos.

Estes números registaram-se apesar da guerra comercial em curso entre China e os EUA. Recorde-se que, em setembro, os norte-americanos impuseram taxas de 10% em produtos no valor 200 mil milhões de dólares. Esperava-se que, a 1 de março, houvesse mais um aumento nas taxas, desta vez, de 2%. Contudo, o incremento foi adiado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que justificou a decisão com avanços nas conversações entre Washington e Pequim. O aumento das taxas está atualmente suspenso até novas ordens, numa altura em que os EUA e a China procuram chegar a um acordo, ainda em março ou abril.

O vestuário não está entre os produtos afetados pelas taxas mais altas, contudo, há preocupações que tal possa acontecer caso a guerra comercial continue. Nesse sentido, não é surpresa que os valores das importações dos EUA estejam a crescer em países como Camboja ou Nicarágua.

O momento do Camboja

Segundo a ferramenta re:source do just-syle.com, o vestuário é o maior sector produtivo do Camboja, representando cerca de 80% do total de exportações do país, apesar do impacto das greves, disputas salariais e desmaios nas fábricas. No entanto, segundo um estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT), têm-se registado melhorias nas condições laborais, com as infrações a diminuírem.

As importações de vestuário do Camboja para os EUA têm diminuído gradualmente ao longo dos últimos oito anos. Contudo, em 2018, o Camboja registou a quinta maior quota de mercado no fornecimento de vestuário aos EUA, de 3,9%, atrás da China e do Vietname (em primeiro e segundo lugar, respetivamente), tendo a sua quota de mercado aumentado em relação aos 3,81% do ano anterior e subido uma posição na tabela classificativa.

Camboja

O Camboja também não é o país mais barato. Por unidade, os preços de vestuário cresceram para 2,39 dólares, em relação aos 2,31 dólares em 2017. Apesar disso, do top 10 de países fornecedores, o Camboja registou o maior incremento de importações, que passou do equivalente a 931 milhões de metros quadrados no ano anterior para mil milhões em 2018, ou seja, em termos de valor, de 12,19%, para 2,4 mil milhões.

Entretanto, a Nicarágua, que apenas se juntou ao top 10 de fornecedores de vestuário dos EUA no ano passado, registou o segundo maior crescimento em importações, de 9,96%, para 1,6 mil milhões de dólares. Em termos de volume, passou do equivalente a 531 milhões de metros quadrados para 560 milhões de metros quadrados. Em termos de preço por unidade, o incremento atingiu os 2,91 dólares, em relação aos 2,78 dólares do ano anterior.

O Vietname, que registou, em 2018, a segunda maior quota de mercado dos EUA, de 13,39%, conheceu um aumento no volume, passando do equivalente a 3,6 mil milhões de metros quadrados para 3,7 mil milhões de metros quadrados, em relação ao mesmo período do ano anterior – uma subida de 5,78% em termos de valor para 12,2 mil milhões de dólares.

Apesar do aumento de 2,2% no preço de cada unidade para 2,79 dólares, o Bangladesh ainda conseguiu fazer crescer as importações em 4,36%, para o equivalente a 1,93 mil milhões de metros quadrados e um crescimento de 6,65%, para 5,4 mil milhões de dólares em termos de valor.

México e Indonésia contam história diferente

O México registou um crescimento marginal nos volumes de importação para os EUA e a Indonésia teve mesmo uma descida. Os preços por unidade de vestuário do México e da Indonésia estão no ponto mais alto do espectro dos top 10: de 3,96 dólares e 3,81 dólares, respetivamente. A Indonésia diminui 4,4% para o equivalente a 1,17 mil milhões de metros quadrados e, em valor, decresceu 1,83% para 4,47 mil milhões em valor.

México

Contudo, apesar da incerteza acerca das renegociações em volta do Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (NAFTA), ao longo de 2018, as importações do México aumentaram 1,3% para o equivalente a 850 milhões de metros quadrados. O valor diminuiu 5,7% para 3,4 mil milhões de dólares, baixando a média dos preços por unidade de vestuário em 7,3%. Em outubro do ano passado, ficou acordado que o NAFTA seria substituído pelo Acordo Estados Unidos-México-Canadá, com novas regras em relação ao vestuário.

Índia e Honduras trocam posições na tabela

Por um lado, uma subida de 46% nos preços por unidade para 3,50 dólares não foi o suficiente para abalar o crescimento das importações da Índia, de 5,2%, para o equivalente a 1,08 mil milhões de metros quadrados em termos de volume e de 3,42% para 3,8 mil milhões de dólares em termos de valor, incrementando a quota de mercado para 3,9% e provocando a subida de uma posição na tabela classificativa.

Índia

Por outro lado, apesar da queda nos preços por unidade em 25% para 2,59 dólares, as importações provenientes das Honduras diminuíram 6,94% em temos de volume para o equivalente a 991 milhões de metros de quadrados e, em termos de valor, desceram 30% para 2,56 mil milhões de dólares. A sua quota no mercado norte-americano decresceu subsequentemente para 3,56%, em relação aos 3,96% do ano anterior, fazendo com que não conquistasse a sexta maior quota de mercado nos EUA, passando para a sétima posição. O país está atualmente a meio do seu plano Honduras 2020, que pretende triplicar as exportações de vestuário para 7,4 mil milhões de dólares e criar 200 mil novos postos de trabalho, mas tem sido assolado por problemas políticos e económicos.

El Salvador, com uma quota de mercado de apenas 2,74%, evidenciou uma performance estável em termos de valor, com os volumes de importações a rondar os 1,9 mil milhões de dólares e os volumes a diminuírem 2,1% para o equivalente a 763 milhões de metros quadrados. O preço por unidade de vestuário aumentou para 2,50 dólares em relação aos 2,47 do ano anterior.