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China mais atenta à RSE

Os comentários sobre os efeitos de uma maior exigência por parte do governo chinês foram feitos na sequência do lançamento em setembro último do relatório de responsabilidade social na indústria têxtil relativo ao período 2013-2014, sob a responsabilidade do China National Textile and Apparel Council (CNTAC).

O documento centra-se amplamente no meio ambiente, segurança dos produtos, recursos humanos, concorrência e responsabilidade social, e recomenda que os fabricantes de vestuário e têxteis localizados na China cessem com a utilização de 68 corantes têxteis e produtos químicos de acabamento.

Para os observadores da indústria, as conclusões do CNTAC são o mais recente reflexo da crescente determinação do governo chinês para a promoção da responsabilidade social das empresas (RSE) no sector têxtil e vestuário do país. «São verificadas muitas mais iniciativas concretas por parte do governo para com a protecção do ambiente e as novas iniciativas são muito mais agressivas do que anteriormente», revela James Roy, analista do China Market Research Group (CMR), sediado em Xangai.

«A atual liderança [nacional] em Pequim parou de pressionar as autoridades locais por crescimentos vertiginosos do PIB [produto interno bruto] e, em vez disso, avalia-os mais por diversas medidas ambientais», explica o responsável. Não é novidade que, numa época em que as questões ambientais podem ter importantes consequências políticas e um tubo de ensaio de uma descarga de águas residuais tóxicas pode facilmente acabar com a carreira de um funcionário público, os governos locais da China intensificaram a monitorização da cadeia de aprovisionamento dos sectores têxtil e vestuário, afirma Roy. Isto inclui a Comissão Central de Inspeção Disciplinar do Partido Comunista a envolver-se na questão, «olhando atentamente para as normas locais».

«É uma mudança de cultura gradual, quando é muito mais do próprio interesse dos funcionários locais fazer cumprir uma ordem para alcançar medidas em matéria de ambiente, definidas pelo governo nacional, a aplicação torna-se uma prioridade para eles», acrescenta Roy. Um papel mais notável é desempenhado pelo Instituto de Assuntos Públicos e Ambientais (IPE), uma organização sem fins lucrativos com sede em Pequim. O IPE, em parceria com a secção da China do Natural Resources Defense Council (NRDC) com sede nos EUA, produziu um índice de transparência das informações corporativas (CITI).

Este índice tem como objetivo identificar como as marcas internacionais que vendem e aprovisionam na China lidam com as questões ambientais dentro da sua cadeia de aprovisionamento e argumenta que as marcas em que falta transparência em relação à poluição também podem ter uma má gestão de RSE. «O risco para o seu negócio, consequentemente, vem de não estarem devidamente envolvidos em relação ao que está a acontecer na China», adverte Matthew Collins, diretor de projetos no IPE.

Collins reconhece ainda que, com o governo central a sinalizar a sua seriedade em lidar com a poluição e a alertar para que novos regulamentos são suscetíveis de ser aprovados, as multinacionais «precisam de estar preparadas para estas mudanças ou a sua concorrência terá uma grande vantagem». O IPE destaca algumas empresas que têm impulsionado a sua transparência sobre RSE, com Esquel Group, Puma, Hennes & Mauritz (H&M), Nike Inc, Adidas, Walmart, Levi’s (Levi Strauss & Co) e Gap Inc a divulgarem publicamente os dados dos seus fornecedores, identificando os problemas de poluição dentro das suas cadeias de aprovisionamento.

Enquanto isso, James Roy observa que a nova abordagem da China em relação à RSE apresenta muitos desafios para as empresas de têxteis e vestuário que aprovisionam no país e pode levá-las a optar por fornecedores no Bangladesh e no leste da África, onde a RSE é menos prioritária.