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China na corrida do athleisure

Nos últimos meses, questionou-se se o athleisure poderia estar a perder o estatuto de tendência de moda global e se a sua trajetória de vendas estaria prestes a inverter-se. Todavia, na China, nenhum destes rumores se confirmou e as marcas continuam a prosperar com a febre dos consumidores pelas propostas de moda inspiradas no fitness.

Apesar do sucesso nas vendas, muitas empresas dedicadas à confeção de vestuário ideal para um estilo de vida saudável estão a evitar a utilização do termo “athleisure” porque, como a Fast Company sugeriu num artigo que antecipava as tendências de 2017, a palavra está cada vez mais associada a pessoas que vestem artigos de fitness apenas por questões estéticas.

Em vez disso, as marcas emergentes posicionadas neste segmento, como a Lululemon e a marca local de denim Zodiac Active, centraram a sua estratégia de marketing num lifestyle ativo, que une performance e moda.

“Lifestyle” é, de resto, a palavra-chave desta nova vida da tendência que está em crescendo dentro dos guarda-roupas dos consumidores chineses. «Vou ao ginásio quase todas as manhãs antes de começar a trabalhar», afirmou Yu Wang, que trabalha na Versace, no centro comercial de luxo Taikoo Li, em Pequim, em declarações ao Jing Daily. «Porém, praticamente não uso athleisure no trabalho. Mas gosto de athleisure e às vezes misturo, por exemplo, leggings com camisolas oversized ou casacos para sair com a família ou amigos», acrescentou.

Yu é membro de um ginásio que abriu recentemente portas perto do Taikoo Li. A poucos segundos de distância da Alexander Wang e da Kenzo, o ginásio SpaceCycle oferece aulas de spinning e de ioga num ambiente agradável.

Convenientemente localizada, a cinco minutos a pé do SpaceCycle, está ainda a nova loja da Lululemon, inaugurada em dezembro. O antigo showroom da marca desportiva ficava nas proximidades mas fechou para dar espaço a este novo ponto de venda oficial, com uma função híbrida, uma vez que de manhã serve como ginásio.

Neste cenário estão ainda as marcas locais atentas à procura dos consumidores chineses por activewear e athleisure. No SpaceCycle, por exemplo, existem vários produtos de designers chineses independentes à venda. A Zodiac Active, com uma oferta que se distancia um pouco do activewear (ainda que o nome assim o sugira), fundada pela designer britânica Steph Lawson e com sede em Pequim, concentra-se na versatilidade do denim. A marca oferece calças, bodies e até mesmo impermeáveis ​​que favorecem a função em detrimento da moda, dando aos consumidores uma opção de luxo e de qualidade para um estilo de vida urbano.

As grandes marcas ocidentais do segmento de activewear continuam a desempenhar um importante papel na conquista dos guarda-roupas cada vez mais casuais dos consumidores chineses e fazem-no de uma forma que soa familiar a todos aqueles com predileção pelas marcas de luxo. No início do ano passado, a Nike colaborou com o designer da Balmain, Olivier Rousteing, para uma coleção pintada de preto e dourado e mais tarde trabalhou com o diretor criativo da Givenchy, Riccardo Tisci, numa linha lançada em Xangai em agosto. Já a Puma firmou aliança com a cantora pop Rihanna e os analistas de moda preveem que a Fenty possa vir a substituir o apelo da Yeezy junto dos millennials chineses.

No ano passado, o Euromonitor International previu que o mercado de vestuário desportivo chinês suplantaria o de bens de luxo em 2020, graças a um crescimento a dois dígitos, alcançando os 42,6 mil milhões de dólares (aproximadamente 40,4 mil milhões de euros).

Por último, com o governo local à espera de desenvolver o segmento a tempo dos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim, em 2022, parece razoável antecipar que os consumidores chineses vão continuar a optar pelo vestuário confortável ​​e ativo nos próximos anos.