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China não vai dominar o Mercado têxtil em 2005…

A China não vai monopolizar o Mercado mundial de têxteis em 2005, mesmo que as quotas alfandegárias sejam eliminadas. Esta opinião foi expressa pelo Director da Câmara Chinesa do Comércio da Importação e Exportação de Têxteis, Cao Xinyu. Contrariando a opinião de muitos analistas, para o responsável da maior câmara chinesa na área têxtil, contando com mais de 4.000 membros, é impossível a China dominar o mercado em 2005.

Cao refere que a China, independentemente de ser um dos principais intervenientes no panorama têxtil internacional, não vai dominar o comércio mundial. A aposta nos produtos de fim de linha e o constante aumento da produção, não vão levar a China a dominar o mercado, referindo que esta estratégia iria apenas criar uma maior procura de matérias-primas, aumentando os custos das importações e diminuindo a actual vantagem ao nível dos preços.

A entrada da China em mercados de maior valor acrescentado é uma necessidade para os produtores chineses de têxteis, na medida em que os custos laborais vão aumentando com o crescimento económico e com as maiores necessidades de consumo da população. Cao acrescenta ainda que, com o desenvolvimento do país, o sector dos serviços vai absorver uma maior quantidade de mão-de-obra, contribuindo para o aumento dos custos laborais.

De acordo com o relatório apresentado peloUS International Trade Commission (ITC), que analisa a competitividade de fornecedores estrangeiros de têxteis e de vestuário no mercado norte-americano após a eliminação das quotas, a China espera tornar-se o principal fornecedor para a maior parte das importações de têxteis e de vestuário após 2005 (vernotícia no PT). O relatório acrescenta ainda que os importadores norte-americanos devem alargar as relações comerciais para outros países em vias de desenvolvimento, tal com a Índia, Bangladesh e Paquistão, de forma a reduzir os riscos inerentes de comprar a apenas um fornecedor.

De acordo com o responsável chinês, a indústria têxtil vai seguir o processo de desenvolvimento verificado com os anteriores gigantes da ITV mundial, nomeadamente o Reino Unido, os EUA e o Japão. Seguindo esta lógica, os produtos de baixo valor acrescentado vão sendo eliminados da produção industrial chinesa, com o subsequente recurso à subcontratação de países com menores custos de mão-de-obra.

A China tem por objectivo desenvolver uma indústria têxtil com base no capital e na tecnologia, em vez da actual indústria de mão-de-obra intensiva, que requer muito trabalho, mas origina reduzido valor acrescentado, segundo refere Cao.

O relatório norte-americano refere ainda que acredita que apesar das encomendas chinesas aumentarem após 2005, a taxa de crescimento vai ser ensombrada pela incerteza associada à possível aplicação das cláusulas de salvaguarda pelos EUA.

Cao refere que não existe necessidade dos EUA barrarem o livre fluxo de produtos, ameaçado pela recente aplicação de quotas nas importações chinesas de malha, vestidos de noite e soutiens. Segundo refere, a distribuição é responsável por 50% a 60% dos lucros gerados pela cadeia de valor, a marca fica com 30% e a produção retém apenas 10% a 20%. Mesmo esta margem de 10% a 20% destinada à produção, não reverte apenas a favor de empresas produtoras chinesas, pois é partilhada pelos diversos investidores estrangeiros que possuem unidades produtivas em território chinês.

No final de 2003, os produtores têxteis estrangeiros a laborar no território chinês, utilizando esta mão-de-obra mas com insignia estrangeira, já totalizavam 22.000, com as exportações a corresponderem a 40% do total das exportações chinesas. As empresas estrangeiras também realizaram diversos acordos de cooperação com a China, tal como a implementação de centros de I&D, criação de bases de design e a formação dos trabalhadores.