Início Arquivo

China planeia abrandar crescimento

De acordo com o divulgado pela Globecot, empresa de informação especializada no comércio de têxteis, a decisão da China de abrandar o crescimento em diversas áreas industriais teve repercussões em todo o mundo, desde Nova Iorque até Tóquio, originando uma quebra significativa nos preços das acções de determinadas indústrias.

Até mesmo as taxas de câmbio internacionais foram influenciadas. Estas reacções originaram após terem surgido os primeiros sinais de maior controlo, por parte do Governo chinês. Inicialmente foi divulgado que os bancos chineses receberam instruções para suspender todos os empréstimos até ao dia 1 de Maio. No entanto, a Comissão Chinesa de Regulação Bancária emitiu um aviso referindo que os bancos receberam apenas instruções para não aprovarem novos empréstimos facilmente antes do início de Maio, uma posição que muitos analistas consideraram ser um prenúncio para novas medidas políticas de maior restrição.

A medida do Governo chinês aparenta ter chocado os mercados mundiais. No entanto, o Governo chinês tinha já deixado claro que planeava abrandar o crescimento desregulado em diversas áreas como a propriedade privada e em diversas indústrias, como a do aço, onde o crescimento desregulado estava a sufocar a infra-estrutura chinesa. A procura de electricidade teve um crescimento significativo, devido em parte aos contínuos crescimentos em novas instalações industriais e na expansão das unidades existentes.

Na realidade, as medidas governamentais poderão ser um impulso significativo para a economia do país, ao colocarem o enfoque do crescimento noutras áreas. Muitos recursos foram desperdiçados no investimento excessivo em edifícios de escritórios, centros comerciais, áreas residenciais de nível elevado, campos de golfe e determinadas unidades industriais. O Governo está aparentemente a concentrar o seu esforço no aumento do consumo através da melhoria dos rendimentos rurais e na melhoria da infra-estrutura interna.

O Primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, antes da sua partida para a UE numa visita que decorreu entre os dias 2 e 12 de Maio (ver notícia no PT), reafirmou o empenho da China em melhorar os rendimentos dos agricultores, dos desempregados e grupos sociais desfavorecidos. O Governo referiu ainda que estava empenhado em cotar oYuan renmimbi a uma taxa de câmbio baseada no mercado.

A declaração de focar o crescimento nas áreas rurais e aumentar o rendimento rural poderá ter um impacto significativo no consumo interno de têxteis e de vestuário. À medida que estas áreas se modernizam e a capacidade de compra aumenta, o consumo vai aumentar de forma significativa.

Para o sector têxtil, no curto prazo o rápido aumento em novos investimentos nos últimos 18 a 24 meses irá abrandar. No entanto, as capacidades de fiação e tecelagem instaladas vão aumentar significativamente, à medida que estas novas empresas iniciam e desenvolvem a sua laboração. As empresas de fiação vão enfrentar um ambiente mais restrito no que diz respeito ao crédito bancário. As empresas chinesas de fiação já referiram terem sentido uma menor disponibilidade de crédito, ao longo dos últimos 60 dias.

Existem poucas dúvidas de que o abrandamento chinês irá afectar a economia mundial, principalmente na Ásia, onde muito do crescimento verificado nos últimos 12 meses surgiu da aceleração das exportações para a china. Por exemplo, as exportações da Coreia do Sul cresceram 38% em Abril, relativamente a igual período do ano anterior. Este crescimento teve por base o aumento em 68% das exportações para a China. De acordo com Steven Roach da Morgan Stanley, em 2003 a China foi responsável por crescimentos de 32% nas exportações do Japão, 36% nas da Coreia do Sul e 68% nas exportações de Taiwan.