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China precisa de reformas

As previsões económicas continuam a sugerir que a China poderá ultrapassar os EUA como a maior economia do mundo nos próximos anos, mas o crescimento de longo prazo dependerá de como o Governo chinês irá administrar uma série de grandes desafios, refere o relatório. Por sua vez, isto tem implicações importantes para os EUA: a China é hoje um mercado significativo para as exportações dos EUA e um dos principais fabricantes dos produtos importados pelo mercado americano. O elemento central do relatório é a transição incompleta da China para uma economia de mercado, com o Governo central ainda a ter um papel importante e interventivo nos negócios e na indústria. As empresas estatais continuam a dominar muitos sectores, afirma o relatório, são protegidas da concorrência e são ativas nos principais sectores incentivados a investir no exterior, dominando as cotações na bolsa de valores do país. As empresas estatais respondem por 3,1% de todas as empresas chinesas, mas são responsáveis por 30% do valor dos ativos em produção e serviços, com uma estimativa a sugerir que as empresas estatais da China são responsáveis por até 50% do PIB não agrícola – e, de acordo com o Banco Mundial, mais de 25% destas perde dinheiro. Além disso, segundo o relatório, o sistema bancário da China continua a ser largamente controlado pelo governo, levando a que as empresas estatais recebam supostamente tratamento preferencial de crédito, enquanto as empresas privadas pagam juros mais altos ou procuram crédito noutro lugar. «Acredita-se que as empresas estatais muitas vezes não pagam os seus empréstimos, o que pode ter sobrecarregado os bancos com uma grande quantidade de crédito vencido», revela o relatório. O relatório também destaca a moeda historicamente subvalorizada da China: o yuan ganhou 40% em relação ao dólar em termos reais, desde que as reformas foram introduzidas em 2005, mas muitos analistas consideram que permanece altamente subvalorizado, tornando as exportações chinesas mais baratas e as importações mais caras. De acordo com o relatório, a economia da China continua a ser excessivamente dependente da exportação e do investimento fixo, enquanto a poluição é um problema cada vez mais grave – resultado do modelo de crescimento económico do país, que é altamente dependente do crescimento da indústria pesada, com um intensivo consumo de energia. Os valores apresentados sugerem que duas em cada três cidades têm água «severamente poluída», a China tem 7 das 10 cidades mais poluídas do mundo e a poluição do ar é estimada ter originado mais de 470 mil mortes em 2008. A corrupção é outro desafio importante, acrescenta o relatório, com a corrupção generalizada do governo em conjunto com a especulação financeira e a má alocação de fundos de investimento – dificultando os negócios das empresas americanas na China, face a regras e regulamentos inconsistentes e opacos, falta de regulamentação dos contratos e fraca proteção dos direitos de propriedade intelectual. Em termos de evolução do modelo económico da China, os dois últimos planos quinquenais do país identificam sete indústrias estratégicas emergentes destinadas a tornarem-se a espinha dorsal da economia para competir à escala global: biotecnologia, novas energias, fabricação de equipamentos de gama alta, conservação de energia e proteção ambiental, veículos de energia limpa, novos materiais e tecnologias de informação de última geração. O relatório defende que a situação geral coloca dois desafios principais aos EUA: convencer a China de que tem uma participação na manutenção do sistema de comércio internacional, que tanto beneficiou a sua ascensão económica, e que mais reformas é o caminho mais seguro para a continuação do crescimento e modernização da economia.