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China preparada para a retoma do consumo

Bares lotados e desfiles sem máscaras é o cenário que está a ser pintado na China com o levantar das restrições ditadas pela pandemia. Por consequência, o consumo ganha um novo ânimo e apoia a retoma da economia do país.

[©Reuters]

A capital chinesa contou com grandes aglomerações de pessoas no arrancar da China Fashion Week, um ambiente que fez recordar os tempos anteriores à nova realidade. Pelas passerelles desfilaram manequins sem máscara e os convidados do evento de moda esqueceram as normas de distanciamento social.

De igual modo, noutras partes da China, o mesmo acontece à medida que os consumidores voltam aos cinemas, às espetáculos ao vivo e até mesmo aos restaurantes.

Para muitos, este retorno dos consumidores sugere que a recuperação no final do verão dos gastos das famílias chinesas esteja a crescer e a impulsionar o próximo nível da retoma económica.

«Este agosto, as vendas no mercado interno (de vestuário) passaram de negativas para positivas», afirma Zhang Qinghui, presidente do China Fashion Designers Committe à Reuters. «Acho que os números de setembro, ou mesmo do quarto trimestre, vão ser melhores», acredita.

As vendas de bens de consumo, um indicador para o consumo na China, aumentaram de forma generalizada no final do terceiro trimestre, com um melhor desempenho nas compras de automóveis, enquanto os rendimentos das famílias voltaram a evidenciar um crescimento positivo e as condições de empregabilidade melhoraram depois de terem sido abaladas pela pandemia de Covid-19.

Um caso solitário

A recuperação fez da China um caso solitário no mundo do retalho e uma importante fonte lucrativa para marcas globais de consumo que vão desde a Starbucks à Louis Vuitton.

Os gastos chineses na área dos serviços ficaram, contudo, atrás das despesas com bens e sectores como a hotelaria e restauração, que sofreram particularmente devido às normas de distanciamento social, às restrições implementadas nos horários de funcionamento e nos limites de capacidade.

[©Reuters]
No entanto, com a redução das restrições a aumentar o ritmo no terceiro trimestre, o sector hoteleiro está preparado para acelerar a recuperação. Prova disso, é o facto de a retração deste sector ter desacelerado no terceiro trimestre em comparação com os três meses anteriores.

«O sector de serviços foi o mais afetado pelo Covid-19. Agora, com as restrições a serem levantadas, o sector está gradualmente a sair da recessão, o que proporcionaria um forte impulso para a ampla recuperação do mercado consumidor», explica Ernan Cui, analista da Gavekal Dragonomics. «Esperamos que o crescimento volte aos níveis do pré-pandemia até o final do ano», revela.

Recuperação de recordes e boom online

O crescimento das vendas a retalho no mês de setembro ainda foi um terço dos níveis pré-pandemia, mas os economistas preveem que o consumo, de modo geral, registe uma forte recuperação durante os próximos meses, depois da reabertura de vários locais em agosto, como é exemplo os espaços associados ao entretenimento.

No dia 1 de outubro, o primeiro dia do feriado da “Golden Week”, as vendas ascenderam a 745 milhões de yuan (95,27 milhões de euros), um valor que atribuiu a esta data a maior venda num só dia de 2020 e a segunda melhor de todas conseguida neste feriado.

Já na pausa de oito dias do National Day, a China contabilizou 637 milhões de turistas domésticos, embora o número verificado corresponda apenas a 79% dos turistas do ano anterior.

«Voltamos aos nossos velhos hábitos», assegura Chen, uma cidadã reformada de Xangai com 57 anos, que fez uma viagem de 22 dias de carro pela região oeste de Xinjiang com amigos.

Em novembro, o Tmall, a plataforma de comércio eletrónico pertencente ao grupo Alibaba, espera que mais de 2.600 marcas internacionais participem no festival anual de compras online “Double 11”, uma previsão que se se concretizar será um recorde histórico.

[©Reuters]
O mercado de trabalho em expansão é um dos fatores que contribui para o crescimento do consumo online. Nos primeiros nove meses, a China criou 8,98 milhões de empregos urbanos, chegando quase a atingir a meta anual do governo de mais de nove milhões. No terceiro trimestre, o crescimento dos rendimentos familiares passou a ser positivo, com um aumento anual de 0,6%.

Para outros sectores, a recuperação adotou um formato distinto. A Riviera Events, uma empresa de organização de eventos sediada em Singapura com filiais na China não tinha efetuado nenhum evento digital antes de 2020. Nesta nova realidade, metade dos eventos da empresa passou a acontecer online. «Para uma indústria que foi arduamente atingida, temos sorte de alguma maneira que a indústria se tenha relançado dessa forma», considera Stephane de Montgros, cofundador da Riviera Events. «Estamos muito esperançosos de que a partir do quarto trimestre, a indústria de eventos na China continental cresça anualmente», indica.