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China produz para o Japão vender

Para reduzir os custos operacionais, muitos retalhistas concentram-se na estratégia de intervenção em países estrangeiros, particularmente na China. As companhias de vestuário japonesas contratam a produção na China através de outras sociedades comerciais. Esta estratégia arrancou quando o iene iniciou a sua ascensão contra outras moedas asiáticas em 1985, atingindo o seu auge em 1990. Em 1999, o vestuário chinês importado pelos japoneses totalizou cerca de 60% das importações de artigos de vestuário feitas pelo Japão. Dez anos antes esta percentagem não ultrapassava os 34%. Já em 2000 o vestuário chinês importado para o Japão subiu para 69%. A produção na China é atractiva não só pela mão-de-obra barata mas também por razões comerciais. Em contraste com os Estados Unidos e os países europeus, o Japão não colocou quase nenhumas restrições às importações de têxteis no passado recente. A única excepção é relativa algumas categorias de sedas especializadas. Mas estando a maioria dos tecidos sujeitos a tarifas de importação, estes custos adicionais são facilmente compensados pelas poupanças conseguidas através de uma fabricação na China. As empresas de fabricação chinesas podem ser muito maiores em escala, empregando muitos trabalhadores jovens e especializados que aumentam a produtividade. E mais importante, os recentes avanços tecnológicos permitem a fabricação de produtos com maior qualidade. Uma das companhias japonesas que tira todo o partido desta vantagem de fabricar na China é a Fast Retailing. A marca UniQlo conseguiu ultrapassar a versatilidade do consumo japonês através da qualidade e de uma imagem de “modernidade barata”. A UniQlo é agora uma presença dominante no mercado com os seus produtos de grande qualidade e preços baixos. Tornou-se numa das mais populares marcas de vestuário, chegando a atingir 431 milhões de contos em vendas e 114 milhões de contos em lucros operacionais em 2000, isto traduz-se num aumento de 403% comparando com a performance de 1997.A companhia pensa atingir um volume de vendas de 752 milhões de contos para o corrente ano. Enquanto a produção na China tem sido uma tendência para a indústria, a Fast Retailing foi mais longe do que os outros. A empresa obtém quase 90% dos seus produtos através de agentes de produção na China, mantendo para isso uma conduta de gestão de qualidade através da sua própria equipa de controladores de qualidade. A companhia conta também algumas sociedades comerciais e assegura produção directamente com os recursos chineses, o que permitiu à Fast Retailing cortar de 6 a 8% os custos que eram pagos às sociedades comerciais. A companhia tem neste momento acordos de produção com 60 empresas e 80 fábricas na China e planeia aumentar a sua capacidade de produção, passando a trabalhar com 100 empresas e 140 fábricas em meados de 2003, aumentando o número de produtores com quem trabalho directamente de 30 para 50%. A Fast Retailing irá também aumentar a sua equipa de controladores de qualidade de 80 para 200 membros para reforçar a gestão da qualidade do produto.