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China reestrutura vestuário – Parte 3

No seguimento do exposto na segunda parte deste artigo (ver China reestrutura vestuário – Parte 2) continuamos a analisar as estratégias de reposicionamento actualmente aplicadas pelas empresas chinesas de vestuário. Além das já referidas, a indústria de vestuário do gigante asiático está também a mudar o seu foco, da comercialização no mercado de exportação para o mercado doméstico. De acordo com o China National Textile and Apparel Council, a procura interna de vestuário na China aumentou 32% em 2007, ficando 14,5% acima do crescimento geral em bens de consumo. é também de realçar que os retalhistas ocidentais estão a apostar no crescente consumo de vestuário e no maior reconhecimento da qualidade e das marcas na China. No início de Outubro de 2008, a Marks & Spencer abriu uma loja com 3.800 m² em Xangai. Marcas como a Zara, a H&M, a Muji, a C&A e a American Apparel estão também presentes na China, enquanto marcas de luxo como a Gucci e a Prada fornecem os clientes mais abastados. O foco das próprias exportações está a mudar, passando dos EUA e da UE – supostamente em preparação para eventuais novas medidas de redução das importações provenientes da China, em 2009 – para países asiáticos vizinhos e até mesmo mercados sul-americanos. A criação está igualmente a ocupar um lugar mais preponderante. Muitas empresas dos centros produtores de vestuário no sul da China, como Shenzhen, Dongguan e Guangzhou, estão a planear mudar o seu modelo de negócio da “produção” para a “criação”. Num esforço para incentivar os fabricantes locais a desenvolverem marcas, o departamento do Tesouro de Dongguan disponibilizou o equivalente a 7,8 milhões de euros para premiar as designadas “empresas de marcas famosas”. O exemplo, para os fabricantes chineses que sonham com a sua própria marca, é a empresa Aimer, fabricante de lingerie de gama alta, que é vista como modelo em termos de emprego (3.000 funcionários), vendas (90 milhões de dólares em 2007) e reconhecimento dos consumidores. No factor produção, a indústria chinesa está também a efectuar alterações, abandonando progressivamente a produção de mão-de-obra intensiva para a de tecnologia e capital intensivos. Esta é a estratégia da TAL Apparel, sedeada em Hong Kong, um dos maiores produtores de vestuário por subcontratação do mundo, cujos clientes incluem JC Penney, Calvin Klein, Debenhams, Giordano e Liz Claiborne. No ano passado, a TAL inaugurou uma nova fábrica de 70 milhões de dólares em Dongguan, cuja dimensão pretende duplicar em 2009. A garantia da qualidade dos produtos e do processo de fabrico, incluindo a responsabilidade social, é outra das preocupações actuais. O China National Textile and Apparel Council está a cooperar com a Associação de Comércio Exterior, em Bruxelas, com a Comissão Europeia, com a norte-americana Worldwide Responsible Accredited Production (WRAP) e com diversos retalhistas internacionais para construir uma cadeia de fornecimento responsável. Fomentar a cooperação entre as empresas é outra das estratégias. Numa iniciativa conjunta realizada no ano passado, oito fábricas de tingimento e estamparia têxtil, localizadas em Dongguan, investiram cerca de 4,5 milhões de dólares numa unidade comunitária de tratamento de água. Um outro objectivo estratégico passa por evitar a concorrência dos preços. Em Haining (a 100 km de Xangai), uma cidade que afirma representar 25% da indústria chinesa de malhas, foi criado um sistema de índice de preços para permitir que as empresas ajustem os preços dos seus produtos de forma a evitar a concorrência desenfreada.