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China sem substitutos

Embora a China já não seja o único jogador no campeonato global do aprovisionamento de vestuário, o país continua a ser o melhor jogador em campo – e assim deverá continuar nos próximos anos, segundo uma nova pesquisa da McKinsey & Company.

Nas últimas décadas, marcas e retalhistas começaram a aprovisionar-se em países com mão de obra mais barata. Porém, agora, há novas dinâmicas de jogo, de acordo com um novo estudo da consultora McKinsey & Company, divulgado pelo portal Just-style.

Ainda assim, isso não quer dizer que os países de mão de obra barata estejam a perder a sua atratividade, pois os responsáveis de sourcing continuam a demonstrar interesse em mercados como o Vietname, Myanmar e Etiópia.

As principais descobertas descritas no relatório “The apparel sourcing caravan’s next stop: Digitization” da McKinsey sugerem que a China chegou ao topo como país de aprovisionamento de vestuário devido ao crescimento da procura local e à redução do tamanho da força de trabalho disponível, à medida que a população envelhece e procura empregos de maior prestígio.

O valor das exportações de vestuário da China, por outro lado, está abaixo dos níveis de 2012 e o volume de exportações da China e de Hong Kong diminuiu 8% em relação ao ano anterior. Outros grandes exportadores do sector, como o Bangladesh e a Índia, também desaceleraram.

Isso deve-se, em parte, ao facto de os custos com a mão de obra terem atualmente menor impacto na globalidade dos custos de aprovisionamento do que no passado. De acordo com a pesquisa, 69% dos entrevistados nos EUA e 61% na Europa esperam que os custos de aprovisionamento aumentem no próximo ano, impulsionados pelas taxas de câmbio e pelos custos das matérias primas.

Até 2025, os baixos salários vão deixar de ser o principal motivo para selecionar um destino de sourcing, segundo metade dos 63 executivos de sourcing inquiridos.

A eficiência do processo é prioritária, seguida pela flexibilidade da cadeia de aprovisionamento. As empresas estão também à procura de maior rapidez, o que está a colocar um novo enfoque no aprovisionamento de proximidade.

China continua dominante

Dos executivos de sourcing consultados, 62% esperam que a participação chinesa no sourcing das suas empresas diminua até 2025, mas o país continuará a ser relevante.

Por um lado, há a dimensão do sector de produção de vestuário, com as exportações de 2016 avaliadas em 177 mil milhões de dólares (aproximadamente 152 mil milhões de euros) – em comparação com os 28 mil milhões do Bangladesh e os 25 mil milhões do Vietname, o segundo e terceiro maiores exportadores.

Já as iniciativas do governo chinês, como a “One Belt, One Road” e a “Made in China 2025”, ajudarão a modernizar a indústria do país e a aumentar a sua relevância global.

A automação da produção é vista como fulcral na nova orientação no aprovisionamento. Mais de metade dos entrevistados espera que, até 2025, os destinos de sourcing sejam decididos por razões de automação e não apenas com base nos custos.

No médio prazo, a China é vista por 81% dos entrevistados como líder quando se trata de digitalização da cadeia de aprovisionamento.

Outros países no mapa

Tal como a China, o Bangladesh, Vietname e Índia também sofreram uma desaceleração no crescimento, mas espera-se que continuem relevantes na cadeia de aprovisionamento global. O Myanmar e especialmente a Etiópia estão a despontar como alternativas, refere a pesquisa.

Aprovisionamento de proximidade e reshoring

Embora os países de mão-de-obra barata continuem a ser uma parte importante da cadeia global de aprovisionamento de vestuário, também há um foco crescente no aprovisionamento de proximidade e no reshoring.

Na pesquisa, 54% dos executivos de sourcing reconheceram que o aprovisionamento de proximidade estava a assumir maior importância. Entre os executivos sediados na Europa, 39% planeiam aumentar a participação da Europa Oriental e quase um terço planeia aumentar o aprovisionamento na Turquia.

Entre os executivos de sourcing norte-americanos, quase metade prevê aumentar o peso da América Central no aprovisionamento.

No entanto, os autores do relatório da McKinsey observam que «mesmo que o interesse no aprovisionamento de proximidade esteja em subida, não supera o foco das empresas em países de mão de obra barata, como Vietname, Myanmar e Etiópia».

Há, também, um maior interesse no reshoring, impulsionado pela necessidade de prazos de entrega mais curtos e de uma produção mais flexível para responder à customização.

Mais de um terço dos entrevistados espera incrementar o reshoring, em comparação com apenas 16%, que anteveem uma quebra. Metade de todos os entrevistados, no entanto, não prevê mudanças.