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China substitui humanos por robots

Nos últimos anos, a China tem vindo a apostar alto na automatização das suas unidades industriais. Muitas empresas contam, inclusive, com o apoio do poder político na aquisição de robots e outras encontram na robótica a solução para combater o aumento dos custos com a força de trabalho.

Ainda que os salários tenham subido a dois dígitos anuais para os mais de 400 trabalhadores de uma fábrica de carrinhos de bebé em Hanchuan, província de Hubei, o empresário Hu Chengpeng afirma, em declarações à agência noticiosa Bloomberg, que a captação de recursos humanos é o principal desafio na China atual. Estes dados explicam por que motivo Chengpeng tem vindo a abraçar a revolução robótica.

Este ano, o empresário adquiriu 40 novos robots, cada um com um preço de 40 mil yuans (aproximadamente 5 mil euros), substituindo dezenas de trabalhadores que operavam no corte e molde de plástico.

Eventualmente, a fábrica acabará por empregar menos um quarto de funcionários do que emprega atualmente, sem ter de reduzir a produção anual, refere Hu Chengpeng. O empresário adianta ainda que planeia produzir carrinhos de bebé que permitam margens mais elevadas.

Com os salários reais a duplicar na última década, as unidades industriais estão a automatizar, a investir em investigação e desenvolvimento (I&D) e a adicionar produtos de valor acrescentado à sua oferta, de acordo com as últimas descobertas da pesquisa “China Employer-Employee Survey (CEES)”, realizada com o Wuhan University Institute of Quality Development Strategy, a Chinese Academy of Social Sciences, a Stanford University e o HKUST Institute for Emerging Market Studies.

China em mudança

A China já não é o abrigo laboral barato de outrora. Os salários na indústria chegaram aos 4.126 yuans no final de 2015, equivalentes aos do Brasil, mas muito mais altos do que os do México, Tailândia, Malásia, Vietname e Índia.

O estudo CEES inquiriu mais de 1.200 empresas e 11.300 trabalhadores em Guangdong, a maior província industrial da China, e Hubei, uma das principais bases industriais da China central. Anualmente, cerca de 26% dos trabalhadores deixam os seus empregos em Guangdong e a taxa de rotatividade é ainda maior para os trabalhadores mais jovens: cerca de 37% para os funcionários abaixo dos 28 anos.

Ao longo do último ano, poucas fábricas optaram por deslocalizar as operações para países com salários mais baixos, segundo o relatório do CEES, mas, em vez disso, estão a investir em robots e automação. Cerca de 8% das empresas têm robots e dois quintos estão automatizadas.

«Com o aumento dos custos laborais e para melhorar a eficiência temos de continuar a investir na automação», defende Chen Jiuyuan, diretor de operações da Hubei Hengwei Aluminum, sediada em Hanchuan.

Novas estratégias

Embora até aqui a atualização industrial tenha sido uma estratégia-chave, isso pode estar a mudar. De facto, os gastos de capital fixo em relação às vendas caíram de 25% em 2013 para 19% em 2015. Entretanto, a quota das empresas que investem em I&D baixou para 44%, isto é, menos 10 pontos percentuais em relação a 2014. «As decisões para a redução do investimento de capital estão frequentemente relacionadas com a incerteza sobre o futuro», aponta Albert Park, responsável do comité internacional do CEES e economista na The Hong Kong University of Science and Technology.

À medida que o ambiente económico se vai deteriorando, uma forma de reduzir os custos é confiar em serviços subcontratados, em vez de contratar trabalhadores diretos, e várias empresas têm vindo a adotar essa estratégia, contornando os gastos com determinados subsídios e apoios.

Por outro lado, muitas empresas estão a receber isenções fiscais, reembolsos de impostos e subsídios diretos, oferecidos por administrações locais e provinciais com vista a incentivar a atualização industrial. Em Guangdong há um subsídio para cada robot adquirido, por exemplo.

Ainda assim, mesmo com a generosidade do poder político, um quinto das empresas está a perder dinheiro, com 26% das empresas estatais – oito pontos percentuais acima das privadas – a conhecer dificuldades.