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China ultrapassa Europa

A China construiu pelo menos 20 milhões de metros quadrados de centros comerciais em 14 grandes cidades ao longo da última década, com mais 14,8 milhões de metros quadrados em construção, segundo a empresa de consultoria CBRE Group. Os centros comerciais europeus ocidentais cobrem 55 milhões de metros quadrados. «Se continuar a crescer a este ritmo, partindo do princípio de que existe mais espaço em centros comerciais fora das cidades que acompanhamos, a China irá provavelmente superar a Europa Ocidental dentro de 5 a 10 anos», afirma Neville Moss, da CBRE. A Europa começou a construir centros comerciais em 1960, mas a China começou há apenas 10 anos. Nos últimos anos, os construtores na China voltaram a sua atenção para os centros comerciais de forma a capitalizar a crescente procura dos retalhistas internacionais como Burberry e Louis Vuitton. Este também se tornou um sector mais atrativo depois das pressões exercidas pelo governo sobre o superaquecimento do mercado imobiliário do país. As empresas Sun Hung Kai Properties e Swire Properties, sedeadas em Hong Kong, estão entre os investidores que criam novos centros em Chengdu, no sudoeste da China, enquanto a singapurense CapitaMalls Asia está a investir 361 milhões de dólares na construção do seu nono centro comercial em Pequim. A corrida à construção resultou numa série de grandes centros em zonas menos desenvolvidas, ficando grande parte do espaço de vago. O New South China Mall (o maior do mundo, com 660.000 metros quadrados), na cidade industrial de Dongguan, está supostamente quase vazio, sete anos após a sua abertura. No entanto, os retalhistas ainda sentem dificuldade em encontrar instalações em locais populares. «Existe excesso de oferta em algumas cidades», reevla Moss. «Muito do desenvolvimento está em locais emergentes, suburbanos, em cidades de nível dois ou três», explica. O crescimento da construção na China contrasta com o abrandamento do desenvolvimento de centros comerciais na Europa Ocidental, a qual foi atingida pelo agravamento da crise da dívida na região, a falta de financiamento e um ambiente difícil no retalho. No final de março, 14 milhões de metros quadrados de espaço de centro comercial estava em construção na Europa Ocidental, abaixo dos 17 milhões de metros quadrados em 2007, segundo os dados da análise de mercado da LLP. O centro comercial Trinity Leeds, com 93.000 metros quadrados, em desenvolvimento pela empresa Developer Land, será o primeiro centro comercial britânico de relevo a abrir nos próximos dois anos, quando estiver concluído em 2013. Outros países, como França, Holanda e Suécia, estão a registar níveis semelhantes de atividade, refere Moss, que conclui que «em termos gerais, na Europa Ocidental, as oportunidades para novos desenvolvimentos em larga escala são muito limitadas».