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China vence corrida pelo preço

Apesar dos rumores sobre a ascensão de potenciais substitutos, onde se incluem o Vietname, o Bangladesh e a Etiópia, a China continua a provar a sua competitividade no mercado global de sourcing, com o preço por peça de vestuário a descer 4,6% em 2019.

O mais recente estudo anual do Departamento de Têxteis e Vestuário dos EUA (OTEXA, na sigla original) revela que o preço do vestuário por unidade equivalente a metro quadrado (SME, na sigla original) chegou a atingir os 2,24 dólares (2,05 euros) em 2019, comparativamente aos 2,35 dólares registados no ano anterior na China. Este valor torna-a a concorrente mais barata entre os dez maiores fornecedores dos EUA, seguida por El Salvador (2,49 dólares por SME), que tem um custo ainda 10,5% superior, em termos comparativos.

Por outro lado, a China é ainda significativamente mais barata do que o segundo maior fornecedor dos EUA, o Vietname, cujos preços se situaram no extremo oposto da escala a 3,42 dólares por SME, uma subida de 4,2% face a 2018. O mesmo acontece com o Bangladesh, o terceiro maior fornecedor, que contabilizou um aumento de 5,4% em 2019, para 2,94 dólares por SME.

Ainda que a sua quota de participação no mercado americano tenha sofrido uma quebra em 2019, de 41,92% para 39,93%, a China mantém uma liderança clara enquanto maior fornecedor dos EUA, impulsionada pela dimensão da sua base de aprovisionamento, abrangência de habilidades, nível de qualidade, variedade de produtos e verticalidade da sua cadeia de aprovisionamento.

Exportações China-EUA deslizam

Ao longo dos últimos dois anos, a guerra comercial entre as duas superpotências resultou numa disputa tarifária que culminou com a imposição por parte dos EUA, em setembro, de tarifas adicionais de 15% sobre os produtos da tranche 4A importados da China – onde se inclui a grande maioria do vestuário. Entretanto, o início deste ano deu lugar à primeira fase do acordo comercial que prevê a redução destas tarifas para metade, a partir de 14 de fevereiro.

Contudo, a reconciliação ainda não é definitiva e as tarifas punitivas ainda permanecem em 92% das peças de vestuário enviadas da China para os EUA. Já várias marcas e retalhistas começaram a procurar alternativas para reduzir a sua exposição ao mercado chinês, o que se refletiu na balança comercial – em 2019, as exportações da China para os EUA caíram 500 milhões de dólares, para 11,1 mil milhões de dólares por SME. Ainda assim, as suas remessas continuam quase quatro vezes superiores às do Vietname, cujas exportações para o mercado americano subiram de 3,72 mil milhões de dólares para 3,96 mil milhões de dólares por SME, em termos homólogos.

Ao longo dos últimos oito anos, o preço por unidade de vestuário da China tem seguido uma tendência de decréscimo – começando nos 3,02 dólares em 2011 até cair para 2,24 dólares em 2019 – beneficiada por ganhos de produtividade e eficiência.

Possíveis substitutos

O Vietname é o segundo maior fornecedor dos EUA e, em 2019, aumentou a sua quota de mercado de 13,39% para 14,46%. De acordo com o sexto Índice de Reshoring da empresa de consultoria AT Kearney, o país acumulou mais 36 mil milhões de dólares em valor de importações, o que representa metade dos 72 mil milhões de dólares perdidos pela China em 2018. Este é o resultado de uma maior procura pelo sourcing do Vietname da parte de diversas marcas, onde se incluem a Nike e a Adidas, cujo volume de encomendas subiu 45% nos últimos dez anos.

De facto, o Vietname beneficia de custos laborais mais reduzidos, de uma maior proximidade às cadeias de aprovisionamento do Sudeste Asiático, bem como de uma legislação, cujas políticas são altamente favoráveis ao investimento estrangeiro direto (IED). No entanto, ainda persistem as preocupações de que o mercado não é maduro, o que acarreta riscos superiores ao sourcing da China.

Por sua vez, o Bangladesh também registou uma subida da quota de mercado de 6,96% para 7,25% em 2019, potenciada por um forte investimento na produção sustentável e na segurança do trabalho. Ao longo do último ano, verificou-se também um incentivo para a oferta de artigos com valor acrescentado, de modo a continuar a manter-se relevante no panorama global de aprovisionamento do vestuário.

À exceção do México, Paquistão e El Salvador, todos os outros mercados de sourcing assistiram a uma subida de preços por unidade, no ano passado. Contudo, o México leva o primeiro prémio enquanto mercado de aprovisionamento mais caro, com um preço de 3,95 dólares por SME, seguido pela Indonésia (3,89 dólares) e pela Índia (3,61 dólares). As Honduras registaram o maior crescimento, com uma taxa de 7,3%, face ao período homólogo anterior, para 2,78 dólares, acompanhadas pelo Camboja, com uma subida de 7,1%, para 2,56 dólares.