Início Notícias Mercados

Chineses mais cautelosos

Os turistas chineses gastaram menos durante as suas viagens em março, mas ir às compras continua a ser um prazer quando estão em férias. Uma oportunidade que deve ser aproveitada pelas marcas e retalhistas internacionais, sobretudo nos principais destinos turísticos, onde se incluem vários países europeus.

 

Primeiro as más notícias: os chineses estão a refrear os seus hábitos de consumo em viagem. Mas há ainda muitas oportunidades, com maio e outubro a deverem ser movimentados.

Os gastos dos chineses em compras tax-free no estrangeiro caíram 24% em termos anuais em março, segundo o “Globe Shopper Report: China Edition” da Global Blue. Os números não foram uma surpresa total, tendo em conta o abrandamento já registado em janeiro e fevereiro, com aumentos de 11% e 5%, respetivamente. Em 2015, contudo, as compras tax-free dos chineses aumentaram 58%.

As boas notícias, pelo menos aquelas que alimentam alguma esperança, é que se prevê que maio e outubro sejam meses mais agitados para os viajantes chineses habituais, representando oportunidades fulcrais para os retalhistas internacionais, indica o estudo. Os dois meses coincidem com dois grandes períodos de férias dos chineses, no seguimento do Dia do Trabalhador (de 1 a 4 de maio) e a chamada Semana Dourada (de 1 a 7 de outubro).

Maio é o mês mais popular para viajar para a Europa, Japão e Coreia do Sul, enquanto outubro deverá ser mais vocacionado para visitas a outros locais da Ásia-Pacífico, como a Austrália e Singapura.

Cerca de 41% dos chineses que viaja habitualmente e que planeia fazer férias em 2016 pretende visitar a Europa. França (16%) é o destino europeu mais popular, seguido da Alemanha (8%), Itália (6%) e Reino Unido (6%).

Contudo, a Ásia deverá ser o principal foco das viagens dos chineses ao longo do ano, com 73% dos que planeiam férias para este ano a afirmarem que pretendem viajar dentro da região.  A Coreia do Sul deverá ser o destino mais visitado, com 26%, seguida do Japão (23%).

Os turistas chineses continuam a ser o maior grupo de consumidores em viagem, apesar do crescimento negativo recente, representando um terço das vendas mundiais. As compras continuam a ser uma parte fundamental da experiência de férias para a maioria dos viajantes habituais chineses, com 81% dos que planeiam uma viagem internacional em 2016 a afirmar que vai fazer compras durante a viagem. O orçamento médio para compras será de 3.544 euros para uma viagem à Europa e de 2.517 euros numa viagem na Ásia.

O impacto da flutuação do yuan nas compras tax-free deverá ser mínimo no primeiro trimestre, já que o yuan desvalorizou apenas 3% face ao euro neste período, sublinha o estudo.

Quanto à queda em março, são apontados diversos fatores. Para começar, comparações difíceis face a março de 2015, onde se registou um crescimento de 122% em termos anuais, em parte devido ao facto de o Ano Novo Chinês ter tido lugar durante o mês. Ao mesmo tempo, os ataques terroristas na Europa também tiveram o seu papel, com 56% dos viajantes chineses a citar «um destino seguro» como um fator importante para a escolha de um destino de férias.

A facilidade de obter um visto é também importante para 22% dos viajantes chineses habituais.

Gordon Clark, diretor-geral da Global Blue para o Reino Unido e Irlanda, afirmou ao WGSN que «estamos a experienciar um declínio no consumo chinês este ano, com o Reino Unido a ser particularmente afetado após a introdução das exigências de visto com padrões biométricos para os visitantes chineses em outubro de 2015 e em associação com os ataques terroristas na Europa. Contudo, este é o primeiro declínio que vemos após anos de crescimento continuado e a China ainda impulsiona o maior número de vendas em tax-free nas nossas lojas. Num clima difícil, é imperativo otimizar a oportunidade e a experiência para estes consumidores gastarem».

A Global Blue considera que os retalhistas têm de se focar no valor e na conveniência para atrair os consumidores chineses este ano.

Quando questionados sobre o que faz um bom destino de compras, 35% dos inquiridos que compram no estrangeiro apontou uma boa seleção de centros comerciais ou parques de retalho, enquanto 33% procura um destino com lojas de marcas internacionais conhecidas. Para 31%, a possibilidade de comprar produtos a preços melhores do que na China é muito importante.

O estudo também revelou os cinco principais serviços que devem ser oferecidos pelos retalhistas que querem atrair consumidores chineses: compras tax-free (65%); possibilidade de pagar com China Union Pay (55%); possibilidade de pagar na moeda local (46%); pessoas que falem a sua língua (39%); e wi-fi na loja (26%).

Websites de viagens, compras e moda (43%) e recomendações de amigos e família (43%) são as principais fontes de informação para as compras internacionais. Para muitos, as redes sociais têm igualmente um papel central, quer através do próprio website da marca (38%), quer através da inspiração de páginas de amigos (36%).