Início Arquivo

Chique parisiense em Tóquio

O resultado da parceria da ex-supermodelo e ex-musa de Karl Lagerfeld, Inès de La Fressange, com a retalhista de moda japonesa Uniqlo revelou-se um verdadeiro sucesso, com os consumidores a fazerem fila, mesmo com chuva, em Tóquio. Vestidos cintados, de corte envelope e camiseiros, blusas versáteis e calças justas usadas com bonés e lenços às pintas para a primavera-verão 2014 desapareceram em minutos quando foram colocadas à venda na capital japonesa, com alguns artigos a esgotarem mesmo online. Inès de La Fressange e o diretor criativo da Uniqlo, Naoki Takizawa, revelaram que só conheciam a reputação um do outro antes de embarcarem nesta colaboração, mas rapidamente descobriram que partilhavam gostos muito semelhantes. Desde que tomou o leme da Uniqlo em 2012, Takizawa, um “protegido” e colaborador durante muitos anos do designer japonês Issey Miyake, supervisionou uma transformação da marca utilitária com uma injeção de moda luxuosa mas simples que atrai as massas. «Foi divertido porque 10 minutos depois éramos amigos e queríamos trabalhar em conjunto», afirma Inès de La Fressange, de 56 anos, e firme entusiasta de misturar moda de luxo com básicos low-cost. «Ambos vimos do mundo criativo e do luxo e queríamos, mais ou menos, o mesmo tipo de coisas. Tive a impressão que ele me estava a mostrar os tecidos e coisas que eu queria ter antes ainda de eu lhe dizer», revela. Os dois partilham uma admiração não só por Miyake mas por outros designers japoneses como Yohji Yamamoto e Rei Kawakubo, o que fez com que trabalhar em conjunto fosse «muito fácil», explica a ex-modelo. Filha de um aristocrata francês e de uma modelo argentina, Inès de La Fressange colocou a filosofia do seu estilo pessoal no livro de 2010 “La Parisienne” (traduzido para português como “A Parisiense”), onde a manequim de alta-costura da Chanel nos anos 80 aconselhou os leitores a misturarem estilos, a experimentarem novas marcas e o vestuário de homem e a investirem numa boa gabardine, num bom blazer e num “pequeno vestido preto”. Os “nãos” incluem manter-se longe da coordenação de sapatos e carteiras e do pelo para mulheres com mais de 50 anos que queiram evitar o visual “mulher troféu enrugada”. Traduzido em pelo menos 17 línguas, o livro vendeu mais de um milhão de cópias em todo o mundo. Para o diretor de marketing da Uniqlo, Jorgen Andresson, Inès de La Fressange, que é embaixadora da marca L’Oreal e recentemente regressou à sua marca epónima, foi uma inspiração para os clientes da marca japonesa. «Ela tem um ótimo bom gosto. Tem aquela magia que todas as mulheres querem», afirma. «Como se conjuga as peças? Porque a moda tem tudo a ver com isso, não comprar tudo de uma marca mas escolher peças e misturá-las com o que já se tem no guarda-roupa para criar um visual atraente», acrescenta. Pouco conhecida fora do Japão há uma década atrás, a marca Uniqlo, criada por Tadashi Yanai, um dos homens mais ricos do Japão, tem perseguido nos últimos anos uma estratégia agressiva de expansão internacional. Para além de lojas por toda a Ásia, tem agora pontos de venda no mundo inteiro, em cidades como Nova Iorque, Paris, Londres e Moscovo. Noutra colaboração com muita notoriedade este ano, fez uma parceria com o músico americano Pharrell Williams para produzir uma gama de t-shirts e bonés que estão à venda desde abril. De La Fressange e Takizawa, entretanto, já concluíram uma segunda coleção para o outono-inverno 2014/2015 e não está posta de parte a possibilidade de uma terceira coleção. «Tudo é possível», adianta Inès de La Fressange.