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Ciência e negócio dão o nó

As parcerias entre entidades científicas como a Fibrenamics e as empresas da indústria têxtil e vestuário estão a ser reforçadas, com cada vez mais produtos no mercado a serem desenvolvidos desta forma. O mais recente exemplo da importância desta colaboração saiu da Mundotêxtil.

Fundada há mais de uma década no seio da Universidade do Minho, a Fibrenamics é uma das entidades do sistema científico português que tem procurado inovar em parceria com as empresas, nomeadamente na área do têxtil e vestuário. A associação, que tem como nome completo Fibrenamics – Instituto de Inovação em Materiais Fibrosos e Compósitos, foi criada precisamente com esse objetivo, como destacou o fundador Raul Fangueiro durante o Open Day que decorreu na Mundotêxtil no passado dia 2 de novembro. «Nasceu para ligar a Universidade do Minho ao meio, ligar à sociedade, principalmente às empresas, e com uma ideia pioneira, na altura, de converter o conhecimento científico em produtos e tecnologias avançadas, uma ideia que se concretiza nestes produtos e parcerias que foram construídas ao longo do tempo», referiu.

Raul Fangueiro

A Fibrenamics, que evoluiu para uma associação, aberta a novos interessados, da qual fazem atualmente parte 19 empresas que ajudam a «definir a estratégia orientadora deste instituto», como salientou Raul Fangueiro, atualmente presidente da Fibrenamics, tem trabalhado em diversas áreas de negócio, do têxtil à arquitetura, passando pelo automóvel, a saúde e o bem-estar, sempre com base numa metodologia que já foi reconhecida pela Comissão Europeia, baseada em quatro pilares: inteligência, ciência, tecnologia e negócio.

«A partir do momento em que há a identificação de uma oportunidade, temos de perceber se existe já conhecimento para responder a essa oportunidade. Não havendo, temos de ir à ciência e perceber como conseguimos desenvolver esse conhecimento, se o mesmo já é suficientemente maduro e se pode, de alguma forma, ser trabalhado com as empresas e avançar para este pilar mais da tecnologia, onde convertemos o conhecimento em produtos e tecnologias inovadoras. Temos depois, para complementar estes três pilares, o pilar business, onde há o suporte ao negócio associado aos produtos e tecnologias inovadoras que são desenvolvidas e, muitas vezes, acompanhamos as empresas em demonstrações aos clientes e em feiras», resumiu Raul Fangueiro.

Aplicação na Mundotêxtil

João Bessa

Foi este o percurso feito no projeto Terry Planet realizado pela Mundotêxtil e a Fibrenamics, que resultou no desenvolvimento de cinco felpos inovadores que estão agora a chegar ao mercado. «Conseguimos, de facto, percorrer esse caminho de uma forma estruturada, de uma forma organizada e de uma forma estratégica para atingirmos o objetivo», explicou João Bessa, diretor de I&D da Fibrenamics.

«Para nós é uma experiência incrível conseguir trabalhar com parceiros como a Fibrenamics», assumiu Ana Vaz Pinheiro, administradora da Mundotêxtil. «Quando aliamos o conhecimento ao saber-fazer, conseguimos atingir objetivos incríveis», sublinhou.

Ana Vaz Pinheiro

«Sem dúvida, que para nós, Fibrenamics, tem sido uma honra poder ter este nível de parceria com a Mundotêxtil, desde já há alguns anos. Acho que já há uma comunhão, uma ligação muito forte entre estas duas instituições e tem sido, realmente, um caso de sucesso esta ligação do conhecimento com a área mais industrial. Para nós tem sido muito gratificante e temos aprendido imenso, o que é importante, porque cada um nesta parceria sabe exatamente aquilo que pode aportar e, quando atingimos esse nível de maturidade na relação, as coisas acontecem naturalmente», acredita Raul Fangueiro. Aliás, confessou, «estamos agora a apresentar os resultados deste projeto, mas provavelmente já temos cinco ou dez ideias para novos projetos que nasceram ao longo desta relação e de outras interações que vamos tendo», conclui o presidente da Fibrenamics.