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Cientistas desenvolvem denim “digital”

Uma equipa de investigadores da Universidade Estatal da Carolina do Norte conseguiu recriar o aspeto do denim com recurso à estamparia digital, numa solução que mimetiza o denim convencional, mas sem os inconvenientes ambientais associados.

[©North Carolina State University/Ming Wang]

Através da utilização de um scanner de alta resolução, os cientistas copiaram imagens de amostras de denim, transferiram as imagens para um ficheiro de computador com informação de cor e transparência e, usando um tecido de algodão pré-tratado, com o mesmo peso e textura das amostras de denim convencional, estamparam seis lavagens distintas.

Os resultados finais foram apresentados lado a lado com as amostras de denim convencional a um painel de 12 especialistas para avaliação, com a maior parte dos mesmos a classificar a replicação da cor com três pontos ou mais (numa escala de 1 a 5, sendo 5 uma correspondência perfeita). No entanto, outras categorias receberam uma classificação mais baixa.

«Para fazer jeans, o fio de algodão é tingido e depois há processos de acabamento e lavagem que dão aos jeans um determinado aspeto. Esses processos podem ter muitos impactos ambientais negativos, como a poluição da água e o consumo de energia. Quis explorar outra forma de produzir o mesmo aspeto do denim que seja mais amigo do ambiente», explica Ming Wang, autora principal do estudo, numa entrevista publicada no site da Universidade Estatal da Carolina do Norte.

O desafio, aponta, é conseguir uma qualidade e textura semelhante ao denim convencional. «É muito difícil», afirma. «Pensamos que a razão para isso pode ser que o tingimento tradicional tem uma elevada penetração do corante. Mas na estamparia digital, o estampado é na superfície do tecido e não penetra muito», justifica.

Como tal, acredita Ming Wang, «se alguém conseguir resolver o problema da penetração do corante, podemos produzir em massa produtos de denim com uma máquina de estamparia digital de elevada capacidade. Pode baixar o custo de produção». Contudo, sublinha, «como a produção em massa não é ainda realista, podemos usar a estamparia digital para produtos denim de gama alta, como têxteis-lar ou vestuário. Para as crianças, que crescem todos os dias, podemos ter algo que se parece com jeans».

Benefícios ambientais e não só

«Pode ser difícil substituir o denim tradicional, mas há outros mercados onde pode conseguir ter um melhor desempenho. Os jeggings são um ótimo exemplo. Além do vestuário infantil, há situações onde queremos um aspeto de denim, mas queremos um maior drapeado e um tecido mais macio, como camisas e vestidos de senhora», acrescenta Lisa Chapman, professora associada de tecnologia e gestão têxtil e vestuário na Universidade Estatal da Carolina do Norte.

[©Unsplash/Maude Frederique Lavoie]
Embora ainda numa fase de desenvolvimento – o estudo inicial foi publicado na edição de julho deste ano do Journal of Imaging, Science and Technology –, a utilização de estamparia digital para criar denim, além de permitir a utilização de 200 cores com o mesmo custo de apenas duas na estamparia convencional, traz significativas poupanças de água, energia e químicos. De acordo com um estudo de investigadores da Universidade da Geórgia, que recentemente desenvolveram uma nova tecnologia de tingimento, para tingir uns jeans são necessários entre 50 e 100 litros de água.

Com mais investigação, os cientistas da Universidade Estatal da Carolina do Norte acreditam que a estamparia digital será um método viável para produzir jeans no futuro com menos desperdício. «Embora haja uma curva de aprendizagem ainda grande para a estamparia digital, há também vantagens com a utilização mais reduzida de energia, químicos e água em comparação com a estamparia por quadros. O mercado online vai também impulsionar a estamparia digital. Vamos analisar novas tecnologias que aceleram o ciclo de produção para trazer os produtos mais rapidamente para os consumidores», conclui Lisa Chapman.