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Cinco tendências para 2021 e para o futuro

Os acontecimentos de 2020 criaram as fundações para mudanças nas nossas relações com a tecnologia, com o conhecimento e uns com os outros. Do retalho em jogos à ascensão dos influenciadores como trabalhadores essenciais, há cinco tendências que vão marcar os próximos anos.

[©Pixabay/Gerd Altmann]

Quem o diz é o gabinete de tendências WGSN, que as enumera no estudo Five Key Trends for 2021 & Beyond.

A importância das mulheres

A primeira está intrinsecamente ligada às mulheres. A recessão mundial iminente provocada pela pandemia vai ser diferente das crises económicas anteriores, no sentido em que maioria dos empregos perdidos serão em sectores tipicamente dominados por mulheres (hotelaria e serviços), levando ao que o WGSN chama de “shecession”.

No passado, navegar uma recessão exigia uma “he-covery” – a criação de emprego em campos tradicionalmente dominados por homens para permitir que os que tinham sido impactados pelo desemprego (sobretudo homens) regressassem ao mercado laboral.

Em 2021, contudo, com as indústrias lideradas por mulheres a serem as mais afetadas, os governos e as empresas «terão de investir nas mulheres para que estas possam regressar ao trabalho ou arriscam-se a reverter anos de progresso económico e social», aponta o gabinete de tendências.

[©Pixabay/Free Photos]
Por exemplo, com muitas creches e ateliers de tempos livres americanos a aumentarem os preços e a enfrentarem encerramentos, a loja de retalho experimental Camp organizou um campo de verão virtual para crianças, oferecendo aos pais um momento de relaxamento e a oportunidade de fazerem algum trabalho.

As estratégias “she-covery” que asseguram a saúde financeira das mulheres, e com isso das gerações futuras, não pode ser comprometida. Permitir que as mulheres regressem ao trabalho vai assegurar que elas continuem a contribuir para a economia enquanto consumidoras – incrivelmente importantes, tendo em conta que as mães que trabalham, em particular, controlam o orçamento familiar e os gastos de três gerações. De acordo com a economista canadiana Armine Yalnizyan, «não há recuperação sem uma she-covery e não há she-covery sem cuidados para crianças».

Relações digitais

Criar relações reais com a tecnologia será a norma, em resultado de um mundo cada vez mais digital – sobretudo à medida que a tecnologia amadurece e se torna mais inteligente.

[©Pixabay/dlohner]
Já longe de ser um produto da nossa imaginação ou dos filmes de ficção científica, estamos no início de uma nova era para as relações, em que a fronteira entre os mundos físico e digital se esbate mais do que nunca. Tal como outras tendências, a pandemia acelerou a ascensão das relações máquinas-humanos, com mais pessoas do que nunca a dependerem da tecnologia para amor, intimidade, amizade e apoio ao longo dos últimos meses, numa altura em que as conexões na vida real são perigosas e impossíveis. Abraçar a tecnologia é uma solução segura e sanitária para socializar, ao mesmo tempo que satisfaz a necessidade de companheirismo e ligação emocional numa altura de muita solidão e dor.

Os que se identificam como digissexuais usam a tecnologia imersiva, como a realidade virtual, a inteligência artificial e a robótica, para cultivar relações sem a necessidade da presença física ou emocional de outros seres humanos.

O jogo no retalho

À medida que a gamificação de conteúdo de marca se torna habitual para os consumidores, as marcas e plataformas começam a criar sistemas de jogos mais abrangentes – em vez de apenas minijogos únicos – com ecossistemas de recompensas que encorajam o envolvimento consistente ao longo do tempo.

Taobao Life [©Alibaba]
Esta evolução tem sido impulsionada pelo impacto do Covid-19 no retalho físico, com um crescente número de consumidores a trocar para o comércio eletrónico. Em 2021, mais pessoas deverão submergir-se nesta mistura de entretenimento e compras online. O Taobao lançou o seu jogo de avatares na app, o Taobao Life, que liga diretamente ao comércio eletrónico. Os avatares podem ser vestidos com produtos apoiados pelo Taobao que têm links diretos para a sua aquisição.

Para já, apenas marcas de vestuário e de beleza têm presença. Ao completarem missões no jogo, como ver e comprar em lojas do Taobao, os utilizadores ganham moedas de ouro para adquirir novos artigos virtuais e desbloquear filtros de produtos. «Esta é uma nova montra», sublinha o WGSN.

Influenciadores ganham protagonismo

O papel dos influenciadores das redes sociais evoluiu em 2020, tornando-se crucial para o tecido social e isso deverá continuar em 2021, acredita o gabinete de tendências. Os influenciadores vão intervir, motivados pelo seu dever cívico, espalhando a verdade pelos seus seguidores.

Na Finlândia, 1.500 influenciadores foram considerados “trabalhadores essenciais” durante a pandemia, com cargos sem remuneração, tendo sido encarregados de disseminar informação importante e de segurança ao público.

Os governos vão, cada vez mais, confiar no talento dos influenciadores, chegando mesmo a contratá-los para envolverem o público num ecossistema pejado de informação falsa. Em agosto, por exemplo, o governo britânico contratou Shaughna Philips, estrela de Love Island, para publicar informação do sistema nacional de saúde num novo tipo de trabalho pago para a influenciadora.

Knox Frost [©Knox Frost Instagram]
Vai haver também, segundo o WGSN, uma mudança para os influenciadores virtuais agirem como verdadeiros cruzados, partilhando informação fundamental e controlada e a verdade em nome de grupos influentes como a Organização Mundial de Saúde, que se juntou com o influenciador Knox Frost no início da pandemia para encorajar doações e partilhar atualizações de segurança.

«Este novo tipo de storytelling sério vai naturalmente integrar-se com o conteúdo diário do estilo de vida do influenciador e vai parecer menos publicidade», aponta o WGSN, com um foco em lições de vida em vez de gostos.

Visões indígenas

A pandemia de Covid-19 e as crescentes preocupações ambientais criaram mudanças de valores dos consumidores em todo o mundo. A conservação coletiva está a triunfar sobre a preservação individual. Para se adaptar a este novo mundo e prosperar nele, as marcas têm de rapidamente reavaliar o seu propósito e as suas estratégias para se alinharem com o bem coletivo.

[©Pxhere/Alessandro Caproni]
Negócios que pensam à frente – desde empresas de arquitetura a marcas de beleza – estão a olhar para os sistemas de valores dos povos indígenas em todo o mundo para terem uma melhor relação com o ambiente e a comunidade. A natureza holística da sabedoria indígena tem em conta o mundo no seu estado coletivo, analisando a interconexão complexa de questões como a sustentabilidade e a globalização.

«Há uma verdadeira oportunidade para as empresas adaptarem os seus negócios para incorporarem a sabedoria indígena nas suas estratégias, combinando-as com o conhecimento existente para impulsionar o valor do negócio que beneficia as pessoas, o planeta», resume o WGSN.