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CITEVE combate poluição por microfibras

O centro tecnológico é a primeira entidade portuguesa a aderir ao Microfibre Consortium, uma associação que tem como missão unir a indústria têxtil e vestuário no desenvolvimento de soluções que permitam eliminar a libertação de microfibras no meio ambiente.

António Braz Costa

O CITEVE integra o Microfibre Consortium enquanto membro na área da investigação, juntando-se assim a nomes como Adidas, Boohoo, Decathlon, Fashion for Good, Fast Retailing, Gap, H&M, Kering, Lenzing, Next, Nike, The North Face, Patagonia, Primark e Puma, entre muitos outros.

O objetivo é dar resposta à crescente preocupação com a libertação de microfibras no meio ambiente, quer de origem natural, quer sintética, devido ao seu potencial de acumulação, nomeadamente nos oceanos.

«Enquanto centro tecnológico da indústria têxtil e vestuário em Portugal, e ciente das prioridades e desafios da indústria portuguesa, o CITEVE compreende a necessidade de colaboração entre os diferentes stakeholders deste sector industrial», afirma António Braz Costa, diretor-geral do CITEVE. «Sentimos a responsabilidade de ajudar, através da partilha do nosso conhecimento num tema tão importante. Faz parte da missão sermos pioneiros na representação da nossa indústria, na sensibilização e na criação de novas oportunidades de negócio», acrescenta.

Lançado em setembro deste ano, o compromisso do Microfibre Consortium para 2030 está focado em «gerar o conhecimento e compreensão necessários para dar à indústria as ferramentas essenciais para mitigar a libertação de microfibras e torná-las disponíveis para as organizações de todo o mundo», referiu, na altura, Sophie Mather, diretora-executiva do Microfibre Consortium.

Não sendo um problema novo, a libertação de microfibras atraiu as atenções nos últimos anos, sobretudo em relação aos microplásticos, altamente prejudiciais para o ambiente, para a vida selvagem e para as pessoas.

O roadmap da organização até 2030 prevê que o primeiro relatório de progresso seja publicado em 2023, sendo que em 2025 o Microfibre Consortium espera ter cerca de 200 signatários. Em 2027, a meta é ter uma adoção de 60% de ações de mitigação por parte dos membros, sendo que em 2030 essa quota deverá ser elevada para 80%. A organização espera ainda que o Knowledge Hub, que será lançado publicamente em 2023, e o Global Rating System, previsto para 2025, tenham já sido adotados pelo sector em 2030.

Estratégia alinhada

Para Ana Tavares, coordenadora da agenda estratégica para a economia sustentável, bio e circular do CITEVE, «esta parceria com o Microfibre Consortium representa a concretização prática das ações previstas no âmbito da nossa estratégia, de acordo com os princípios do desenvolvimento sustentável. Além de definir estratégias e contribuir para as políticas públicas enquanto representante de muitas empresas do sector, o compromisso do CITEVE nesta área é colocar em prática planos de ação que levem ao desenvolvimento da indústria ao nível da sustentabilidade».

Ana Tavares

Atualmente, de acordo com um comunicado do CITEVE, o centro tecnológico português tem cerca de 700 empresas associadas e mais de 3.000 empresas clientes, sendo o maior laboratório têxtil nacional, capaz de realizar milhares de testes acreditados.

«A evolução e o crescimento dos nossos laboratórios sempre foram no sentido de acompanhar as necessidades das empresas. Temos mais de 30 anos de experiência e acredito que esta parceria com o Microfibre Consortium será de grande valor para desenvolver conhecimento e sensibilização em torno do tema dentro do nosso sector», afirma Deolinda Domingues, diretora técnica dos laboratórios do CITEVE.

Do lado do Microfibre Consortium, Sophie Mather acredita que a integração do centro tecnológico português no consórcio será uma mais-valia. «Embora a comercialização do ensaio laboratorial específico das microfibras esteja atualmente fora do âmbito desta parceria, estamos entusiasmados com a enriquecedora experiência têxtil que o CITEVE trará ao nosso grupo colaborativo, assim como o apoio para futuras necessidades de ensaios conforme o tópico se desenvolve».