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Citeve e CeNTI fomentam inovação aplicada

Empenhado em prosseguir uma estratégia de exploração económica do conhecimento, o CITEVE e o CeNTI têm estado lado a lado com as empresas da indústria têxtil e vestuário. A bioeconomia e a transição digital são as mais recentes apostas.

Durante a visita dos participantes na 10.ª Convenção Europeia do Têxtil e Vestuário ao CITEVE e ao CeNTI, António Braz Costa, diretor-geral do primeiro e CEO do segundo, fez uma retrospetiva das últimas três décadas de atividade da indústria têxtil e vestuário portuguesa, acompanhada de perto pelo CITEVE, que contribuiu para o avanço das empresas nacionais, solucionando questões de qualidade, dando um impulso ao desenvolvimento e engenharia de produto, tanto na moda como nos têxteis técnicos, e também na sustentabilidade, indicou. «Começámos com a questão “verde” nos anos 90, porque os rios estavam poluídos, mudavam de cor todos os dias», lembrou o diretor-geral do centro tecnológico. Contudo, «fomos a primeira região do mundo com um sistema integrado para tratar as águas residuais ao longo de todo o vale do Ave», frisou.

Por volta de 2015, foi a vez das empresas se preocuparem cada vez mais com as questões da sustentabilidade, impulsionadas pelos feedbacks dos seus respetivos departamentos comerciais. «Talvez tenha sido uma das revoluções mais rápidas do nosso sector. Porquê? Porque o CITEVE começou a trabalhar neste conceito holístico 10 anos antes», considera António Braz Costa.

Atualmente, avançou o diretor-geral do CITEVE, as grandes apostas do centro tecnológico passam pela bioeconomia e pela transição digital, em parte impulsionadas pelas agendas do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), já que o CITEVE e o CeNTI participam em 20 das 70 agendas mobilizadoras «porque os têxteis estão em todo o lado», garantiu, enumerando a aeronáutica, o automóvel e até a produção de baterias como indústrias onde o têxtil tem um papel importante. «É um grande desafio, mas de alguma forma reflete o enorme trabalho que fizemos com as empresas e os governos na defesa de um plano estratégico para o sector têxtil e do vestuário em Portugal», afiançou.

António Braz Costa

Acima de tudo, sublinhou António Braz Costa, estes projetos no âmbito do PRR seguem a linha orientadora da instituição, que mais do que investigação fundamental, se dedica à aplicação do conhecimento. «Somos um centro de investigação, mas estamos mais focados na exploração económica do conhecimento. Claro que por vezes temos alguma atividade de investigação básica, mas estamos mais focados em transformar o conhecimento em ação», admitiu.

Novos investimentos em curso

No caso da transição para a bioeconomia circular, asseverou, «a ideia não é fazer investigação e desenvolvimento, publicar um artigo e fazer algumas apresentações. O projeto inclui, no mínimo, fábricas-piloto. Pela primeira vez, teremos em Portugal fábricas para produzir celulose regenerada». O projeto inclui ainda a utilização de biomassa para produzir resinas para compósitos e o desenvolvimento de um sistema de circuito fechado para a água.

«Temos um currículo enorme a ajudar empresas a organizarem os seus departamentos de desenvolvimento, de inovação e de design», assumiu António Braz Costa, que à comitiva referiu ainda o papel do centro tecnológico ao nível das certificações.

O diretor-geral do CITEVE anunciou ainda a instalação de uma microfábrica digital, «para permitir às empresas de tecnologias de informação testar aqui os desenvolvimentos que estão a fazer nessa área», no âmbito das obras de renovação e expansão que o centro tecnológico está a fazer.

Quanto ao CeNTI, António Braz Costa reconheceu a abrangência de materiais e tecnologias trabalhadas – incluindo nanopartículas, nanocápsulas, materiais piezoelétricos e eletrónica impressa –, assim como de áreas industriais de atuação, desde o automóvel e aeronáutica à arquitetura e construção, passando pelos têxteis convencionais, saúde, bem-estar e desporto. Com uma área que em breve ultrapassará os 6.000 metros quadrados, o CeNTI conta já com 45 patentes registadas ou com pedidos pendentes, quer a solo, quer em parcerias ou para clientes. «Não trabalhamos para stock. Trabalhamos sob pedido das empresas», assegurou.

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