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CITEVE prepara EPIs reutilizáveis

Numa altura em que os pedidos de equipamentos de proteção individual continuam a ser muitos, o CITEVE está não só a dar apoio à produção, com fichas técnicas e listas de materiais e produtos, como está já a preparar o futuro, nomeadamente com a possibilidade de criar EPIs reutilizáveis com aprovação do Infarmed.

António Braz Costa

Os pedidos de equipamentos de proteção individual (EPIs) não param de chegar, sobretudo de profissionais de saúde. Ana Lídia Dias, interna de anestesiologia do Hospital de São João, no Porto, deu conta recentemente da necessidade deste tipo de equipamentos através de um email dirigido ao Portugal Têxtil, para divulgação. «Em conjunto com mais colegas de anestesiologia e de outras especialidades, vinha fazer-vos o seguinte apelo: além de viseiras e máscaras FFP2, precisamos de cógulas, batas e cobre-botas», escreveu. O contacto indicado para as especificações deste tipo de equipamentos era o do CITEVE.

O centro tecnológico das indústrias têxtil e de vestuário, de resto, não tem tido mãos a medir nas últimas semanas. «Logo desde o início houve uma falta de conhecimento sobre a origem de matérias-primas, sobre os requisitos técnicos para os equipamentos», explica, ao Portugal Têxtil, o diretor-geral do CITEVE, António Braz Costa.

No site da instituição é possível ver a parte visível desse trabalho, nomeadamente as fichas técnicas para a produção de diversos tipos de equipamentos de proteção individual, mas também para fardamentos, vestuário de doentes e cama e higienização. «As fichas técnicas são, no fundo, uma ajuda para que qualquer empresa, independentemente de ter ou não ter experiência nesta área, poder construir estes equipamentos, desde que tenha matéria-prima», afirma.

A matéria-prima é, aliás, uma das grandes restrições. «Daí nos termos preocupado em procurar fornecedores de matéria-prima e neste momento, no site do CITEVE, estamos sempre a atualizar as matérias-primas que estão aprovadas para serem utilizadas em equipamentos de proteção individual», revela o diretor-geral. Pastofo, Herculano & Pimenta, Endutex e LMA são atualmente as empresas que têm materiais aprovados pelo centro tecnológico para a produção de EPIs.

O mesmo acontece com a lista de produtos aprovados, onde constam já artigos descartáveis como batas cirúrgicas, coveralls, cógulas, manguitos, perneiras, cobre botas e sapatos e máscaras de diversas empresas.

O CITEVE estabeleceu ainda contactos com a Alemanha, com o objetivo de obter matéria-prima para máscaras cirúrgicas, num negócio cujos contornos não estão ainda finalizados. «Neste momento estamos a aguardar o início da produção na Alemanha para que se possa dar informação a empresas que queiram importar. Em princípio, os interlocutores alemães vão escolher a empresa com quem vão fazer o negócio», adianta António Braz Costa. Metade das máscaras produzidas será para consumo nacional e a outra metade será entregue à Alemanha, até porque o Governo alemão só autoriza negócios em «que tenha a garantia de que as máscaras produzidas sejam exportadas para a Alemanha».

EPIs reutilizáveis a caminho

Segundo o diretor-geral do centro tecnológico, que confirma a disponibilidade de mais de 200 empresas nacionais na produção de diferentes equipamentos de proteção individual, «a capacidade produtiva instalada em Portugal permite produzir milhões de máscaras por semana». Contudo, o preço será sempre um entrave, pelo menos no que diz respeito às máscaras cirúrgicas. «Fazer uma máscara cirúrgica em não-tecido numa confeção não pode custar menos de dois euros. Isso é um valor completamente diferente do valor habitual das máscaras cirúrgicas descartáveis», esclarece.

Já a produção de máscaras faciais para serem usadas pela população em geral é diferente e é uma área que poderá ter novidades muito brevemente. «Estamos a trabalhar com o Infarmed [Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde] para definir padrões de especificação para este tipo de máscaras – esperamos ter resultados nas próximas horas», admite António Braz Costa.

Além do mais, os EPIs reutilizáveis são uma área que está a ser explorada pelo CITEVE. «Neste momento, a quantidade de EPIs que são utilizados no nosso país e têm como destino a incineração são um problema ambiental. Recuperamos o trabalho de investigação feito anteriormente e estamos a montar uma linha de trabalho para desenvolver soluções diferentes», anuncia o diretor-geral.

A preparar o futuro

Mantendo o trabalho que está a ser feito de prestar serviços às empresas, «quer para resolver o problema grave que temos em mãos, quer numa perspetiva de mais médio prazo», o centro tecnológico está também a olhar para o futuro. «Pensamos que a Europa será diferente no futuro e a autossuficiência da Europa relativamente aos equipamentos de proteção individual para uso pelos profissionais de saúde, etc., há de ter um caminho diferente. O caminho que levou nos últimos 20 anos foi de deslocalização completa para a Ásia e, do meu ponto de vista, não haverá condições para isto ser mantido. Nesta perspetiva, é uma oportunidade de negócio para Portugal», acredita António Braz Costa.

Numa outra frente de ataque, o centro tecnológico está a relançar o conceito de moda de proteção individual. «Portugal é um país produtor de moda e temos a certeza que a moda do futuro não vai ser igual. Já estamos a trabalhar com empresas para enriquecer este conceito de moda de proteção individual, isto é, peças de moda que contêm funções de proteção», afiança o diretor-geral do CITEVE.