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Citeve propõe cluster têxtil

O centro tecnológico apresentou ontem as fundações para um novo cluster têxtil que pretende reunir empresas de toda a fileira, da produção de fios à distribuição de moda, num projeto de associação que visa reforçar a posição da indústria têxtil e vestuário nacional, tanto em Portugal como nos mercados externos.

«Os protagonistas do cluster têm de ser as empresas e este cluster só vai existir se as empresas quiserem», começou por sublinhar António Amorim, presidente do conselho de administração do Citeve logo na abertura da apresentação, que decorreu ontem no auditório do Citeve, em Vila Nova de Famalicão.

Segundo Braz Costa, diretor-geral do Citeve, que fez a apresentação dos passos e das particularidades da criação deste novo cluster, batizado “Cluster Têxtil: Tecnologia e Moda”, «quando vamos à Europa, vemos cada vez mais as especializações temáticas, as empresas agrupadas em clusters. O próprio sector têxtil na Europa tem uma realidade enorme no que diz respeito à clusterização».

A chegada dos clusters à realidade portuguesa aconteceu em 2008, com o reconhecimento dos chamados polos de competitividade, incluindo o Polo de Competitividade da Moda. Para Braz Costa, contudo, «o sector têxtil esteve inserido num polo que não era seu. Houve um ministro que se lembrou de dizer “vamos fazer o polo da moda e o polo da moda é dos pés à cabeça: sapatos, vestuário, têxteis-lar, têxteis de aplicação técnica, ourivesaria, joalharia…”. E o fato não nos serviu, estava um bocadinho torto para a nossa compleição física e por isso não se deu grande energia a este polo de competitividade». Com a abertura de um novo concurso para reconhecimento de clusters, e depois da análise do percurso do Polo de Competitividade das Moda, o Citeve concluiu que «o melhor é pensarmos numa coisa que sirva os interesses do sector têxtil e vestuário», defendeu Braz Costa.

A proposta do Citeve às empresas e entidades ligadas ao sector passa, assim, pela criação deste novo cluster – que tendo em conta a importância da indústria têxtil e vestuário e o volume de exportações se enquadra na definição de cluster consolidado ou de interesse nacional –, cuja missão será facilitar o aparecimento e desenvolvimento de redes e cadeias de valor, com um posicionamento reforçado em termos de inovação e mercados externos, mas também potenciar complementaridades, facilitar e eliminar sobreposição e conflitos em intervenções de natureza coletiva e ter um papel na formulação de pensamento estratégico.

Entre os objetivos estão promover a capacidade competitiva do agregado económico, através da exploração de complementaridades, alinhamento entre economia, políticas públicas e ações de criação de bom ambiente de negócios e a capacidade de lobby do agregado junto das entidades gestoras dos sistemas de incentivos. «O lobby é uma coisa que existe e que queremos fazer junto de quem decide a atribuição de incentivos», assumiu Braz Costa.

Os pormenores da estratégia e de financiamento (que é comparticipado, embora a taxa não seja ainda clara, podendo variar entre os 50% e os 85%) estão ainda por definir, mas para o diretor-geral do Citeve, o cluster deve, desde logo, «evitar a assunção de responsabilidades financeiras», nomeadamente através de endividamento. Considera ainda que «o valor das quotas deve ser tão baixo quanto possível, para que não seja um elemento dissuasor», antecipando um valor inferior a 1.000 euros anuais. Com um prazo de formalização da candidatura curto – até 24 de julho –, as próximas etapas passam por desenhar os estatutos provisórios da associação e reunir empresas e entidades aderentes para definir os eixos de atuação, o modelo de governação, as ações de dinamização e os projetos estruturantes, que serão sujeitos a discussão. «O sector têxtil é tão rico e tão diversificado que vejo aqui várias ações que podem ser promovidas», afirmou Braz Costa. «Ações que naturalmente são promovidas pelo Citeve, pelas universidades, pelas associações, etc., necessitam deste enquadramento.

Não é apenas fazer coisas novas, é ter enquadramento para algumas das que já são feitas – aqui, a área da internacionalização claramente, a área do I&D de grande dimensão, claramente, a área de ligação com outros clusters, claramente, porque isso é privilegiado nas políticas de clusterização», acrescentou.No entanto, sublinhou, «não temos aqui a verdade toda, temos ideias, mas também não nos queremos plasmar antes de receber os vossos contributos. A participação é fundamental».