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Clariause reforça credenciais verdes

A tinturaria tem efetuado fortes investimentos nas instalações e na capacidade técnica e laboratorial, mas também nas certificações ligadas ao ambiente, onde se quer destacar pelos tingimentos ecológicos. Duplicar a quota de exportação direta de fios tintos em 2022 é outra das metas da Clariause para o futuro.

Lurdes Dias

Com 16 anos de história, a Clariause está a dar passos mais firmes na exportação, depois de, na última década, se ter dedicado a reforçar as valências. «Nos últimos 10 anos temos feito investimentos muito consideráveis e, atualmente, a Clariause é considerada uma das tinturarias mais avançadas em termos técnicos e laboratoriais», afirma Lurdes Dias, diretora comercial da empresa.

Com «tecnologia de ponta», incluindo uma bobinagem com apenas dois anos de última geração da Schlafhorst, capaz de «bobinar fios muito delicados, finos, core spun, que não é uma coisa muito frequente», sublinha Lurdes Dias, a Clariause está ainda preparada para responder em prazos muito curtos. «Temos a capacidade de abrir amostras de cor em 24 horas – o que garantimos ao cliente é 48h, mas conseguimos na maioria dos casos em metade do tempo», aponta a diretora comercial, que salienta igualmente a possibilidade de tingir qualquer tipo de fio e fibra, incluindo misturas com caxemira, seda ou lã merino.

No caso dos fios tintos, a empresa dispõe de um cartaz de quase 100 cores em stock service, com três NEs em algodão convencional, algodão orgânico e em fios torcidos. «Temos cerca de 100 toneladas em permanência em stock service», revela ao Portugal Têxtil.

Certificações europeias

A Clariause, que tem uma capacidade instalada de 30 toneladas/dia e divide o seu negócio entre a prestação de serviços (60%) e a venda de fio tinto (40%), tem ainda estado ativamente empenhada em tornar as suas propostas mais amigas do ambiente, com a procura por alternativas aos químicos tradicionais, ao mesmo tempo que certifica os seus processos. «Somos talvez a única tinturaria na Europa com todas as certificações europeias», admite a diretora comercial. Vários standards Oeko-Tex, incluindo o STeP, para a produção têxtil sustentável, o Global Organic Textile Standard (GOTS), a Better Cotton Initiative (BCI), o Organic Content Standard (OCS), o Global Recycled Standard (GRS), o Recycled Claim Standard (RCS) e a ISO 14001, para o sistema de gestão ambiental, fazem parte dos rótulos que ostenta.

«Toda a produção da Clariause é eco-friendly, na medida em que temos os menores consumos possíveis de água, maior eficiência energética, daí todas as certificações ambientais que temos. Mas lançámos também um produto que é 100% natural, que tem uma gama de seis cores, extraídas de flores, sementes, frutos e até um pequeno inseto, Nimbus, que produz umas secreções que nos permitem criar um corante», desvenda Lurdes Dias.

Uma área que tem vindo a crescer na procura dos clientes. «Temos marcas envolvidas neste processo que estão a apostar e a incluir nas suas coleções este tipo de produto», apesar das limitações, nomeadamente na durabilidade. «Quem está sensibilizado para a necessidade de proteção ambiental também está recetivo e é flexível a esse tipo de coisas», reconhece a diretora comercial. É o caso dos mercados nórdicos, que são muito sensíveis», reconhece, mas no geral, «acho que estamos no bom caminho. Claro que, se calhar, uma marca não vai usar este tipo de corante natural para tudo, mas pode usar para uma boa gama de produtos», aponta Lurdes Dias.

Duplicar as exportações

A necessidade de chegar a mais mercados está a levar a Clariause a apostar mais na internacionalização, sendo que as vendas ao exterior devem representar cerca de 10% do volume de negócios. «Temos alguns projetos em curso que nos fazem acreditar que muito brevemente as coisas podem evoluir rapidamente», assume a diretora comercial.

A empresa, que esteve recentemente presente na Première Vision Paris e hoje expõe no Modtissimo, espera fechar este ano com 15% de exportação e duplicar essa quota em 2022. «Ficaríamos contentes se até ao final deste ano conseguíssemos atingir os 15% da nossa faturação para exportação e no próximo ano dobrar, chegar aos 30%», indica Lurdes Dias.

Um crescimento que se fará, além dos mercados tradicionais de exportação, como Espanha ou França, por outras geografias, tanto a norte como a sul. «Estamos com objetivos muito ambiciosos para o Norte de África e para o Norte da Europa», conclui a diretora comercial.

Sara Pimenta e Lurdes Dias