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Clerici Tessuto transforma plástico em tecidos de luxo

A produtora italiana fez uma parceria com a Parley for the Oceans para usar os fios feitos a partir da reciclagem de plástico recolhido no oceano na produção de têxteis de gama alta para vestuário exterior e beachwear, que serão usados por marcas de todo o mundo.

Clerici Tessuto [©Clerici Tessuto & C. SpA]

Graças a esta parceria, a Clerici Tessuto vai fazer têxteis de luxo certificados com o Global Recycled Standard (GRS). Os fios de poliéster reciclado são feitos a partir de resíduos de plástico encontrados em praias, ilhas e comunidades costeiras.

A Parley tem sido reconhecida como fornecedora de plástico sustentável recolhido no mar e ganhou tração com marcas em todo o mundo devido à sua associação com a Adidas. A gigante de vestuário de desporto lançou a coleção Adidas x Parley há cinco anos, tendo começado com uma coleção-cápsula de calçado com a parte de cima em malha. No início de 2020, a Adidas tinha vendido mais de 15 milhões de pares de ténis feitos com plástico recolhido no oceano e comprometeu-se a usar apenas poliéster reciclado produzido pela Parley em todos os produtos no seu negócio até 2024.

Mas o acordo entre a Parley e a Clerici Tessuto centra-se na criação de tecidos premium, não de performance, levando a inovação ecológica ao mundo da alta moda.

«Muitas vezes vemos a indústria de moda como um reflexo da sociedade, este propósito é o novo luxo», afirma, em comunicado, o fundador e CEO da Parley, Cyrill Gutsch. «A Clerici Tessuto é uma das produtoras têxteis mais importantes no mundo no sector do luxo – esta parceria reforça a missão da Parley de acabar com a “era tóxica” e impulsionar a “revolução material” à escala mundial», acrescenta.

O CEO da Clerici Tessuto, Stefano Bernasconi, explica que a produtora está empenhada em ajudar a salvar o planeta para as próximas gerações através de mudanças nos seus artigos.

Clerici Tessuto [©Clerici Tessuto & C. SpA]
«A Clerici Tessuto é capaz de produzir tecidos de luxo de alta qualidade e durabilidade ao misturar o seu conhecimento profundo da indústria, criatividade de alto nível e uma cadeia de aprovisionamento sustentável», garante. «A Parley é um movimento extraordinário e inspirador capaz de pensar e concretizar iniciativas focadas em mudar a perspetiva e a forma de pensar dos consumidores», acredita Stefano Bernasconi.

A produtora italiana vai trabalhar para transformar os fios da Parley em tecidos de gama alta para marcas mundiais usarem na criação de vestuário de senhora e beachwear, anuncia o CEO da Clerici Tessuto. «Trabalhar em conjunto possibilita que as duas empresas contribuam para as mudanças exigidas pela indústria da moda, permitindo uma transição para a economia circular e a criação de um futuro melhor com iniciativas e tecidos excecionais e impressionantes», aponta.

Sustentabilidade e inovação

As marcas de luxo estão a participar cada vez mais em discussões sobre inovação nos materiais e upcycling. Em junho, a Gucci anunciou o lançamento da Off the Grid, a primeira coleção concretizada pela Gucci Circular Lines, uma divisão dentro da marca focada na produção circular.

A coleção Off the Grid usa materiais reciclados, orgânicos, de base biológica e com aprovisionamento sustentável. A Gucci fez uma parceria com a Aquafil, usando os seus tecidos Econyl feitos a partir da recuperação de redes de pesca e resíduos de carpetes. A linha também dá nova vida aos desperdícios de couro resultantes da produção.

No outono do ano passado, a Burberry estreou uma coleção-cápsula de vestuário exterior, como a sua icónica gabardine Kensington, feita com Econyl, enquanto a Prada lançou a Re-Nylon, uma nova abordagem às suas conhecidas carteiras de poliamida. A marca comprometeu-se a, até ao final do próximo ano, fazer todas as suas carteiras com Reconyl, uma versão do Econyl que pode ser reciclado infinitamente sem perda de qualidade.

Gucci Off the Grid [©Gucci]
Fundada em 1922, a Clerici Tessuto mantém o carácter familiar que esteve na sua génese, estando atualmente com a quarta geração ao comando. Anualmente, a empresa, que emprega 330 pessoas, vende mais de 3 milhões de metros de tecido, tendo uma lista de 4.700 clientes em 86 países. Em 2018, o volume de negócios rondou os 64 milhões de euros, 60% dos quais resultado da exportação.