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Clima afecta retalho – Parte 1

A conferência deste ano da associação de fornecedores da indústria britânica de vestuÁrio (ASBCI) foi subordinada ao tema da influência das condições climatéricas no vestuÁrio. No âmbito desta conferência, foi discutida a forma como as condições meteorológicas extremas, as questões ambientais e o abrandamento económico estão a forçar a indústria do vestuÁrio a enfrentar novas realidades comerciais. A 15 ª Conferência Anual da ASBCI (Association of Suppliers to the British Clothing Industry), que decorreu na cidade de Rugby, foi marcada pelo contexto da mudança de padrões climatéricos e pela instabilidade económica. Os efeitos destes factores são profundos, resultado da interligação que existe com o vestuÁrio. Com a abertura da conferência a cargo de um meteorologista, que foi seguido por um economista, cedo se tornou claro que existe uma estreita correlação entre o dinheiro e as condições meteorológicas. Apesar das alterações climatéricas terem resultado em modelos empresariais mais sustentÁveis para as empresas de moda, as flutuações nestas condições continuam a reger as vendas no retalho. Para além disso, os consumidores também estão mais sensíveis ao impacto ambiental e a tornar as suas decisões mais éticas. Por outro lado, uma das principais causas das mudanças climatéricas, o consumo excessivo de petróleo, tem as suas próprias repercussões na cadeia internacional de fornecimento de moda. O director executivo da britânica Royal Meteorological Society (Rmets), Paul Hardaker, abordou os 150 delegados da ASBCI confirmando os seus piores receios: é demasiado tarde para inverter as alterações climatéricas, pelo menos por enquanto. Com efeito, o Rmets trabalha com a premissa de que as medidas sustentÁveis tomadas hoje vão demorar entre 50 a 100 anos para sortir efeito. No que se refere aos danos causados pelas emissões de gases de estufa até ao momento, Hardaker diz que o Rmets espera um aumento global da temperatura média de 2 a 5°C até 2010, e que uma mudança significativa até 2050 conduzirÁ a mais ocorrências meteorológicas extremas como inundações e ondas de calor. Com a pressão do aquecimento global a aumentar, as empresas de moda enfrentam cada vez mais a continua exigência dos consumidores para tornarem-se mais ecológicas. Para além deste efeito, as flutuações meteorológicas de curto prazo continuam a influenciar as tendências de vendas, com os gigantes do retalho, como Topshop e Marks & Spencer, a responsabilizarem as mÁs condições climatéricas pelo decréscimo nas vendas do ano passado no mercado britânico. Certamente ficarão mais aliviados ao saber que as previsões para este Verão no Reino Unido são de menos chuva e temperaturas ligeiramente mais elevadas. O próprio aparecimento de serviços meteorológicos vocacionados para o sector retalhista, como Met Ofiice, MeteoGroup, Metra e Weather Informatics, são um sinal revelador do seu impacto. Obviamente que a poluição não é o único subproduto do excessivo uso do petróleo, e Adam Chester, economista chefe do Bank of Scotland Treasury, apresentou as implicações financeiras do aumento dos custos do petróleo, uma questão que serÁ desenvolvida na segunda parte deste artigo.