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Clima afecta retalho – Parte 2

A mais recente conferência da ASBCI foi dedicada ao tema do efeito das condições meteorológicas, das questões ambientais e do abrandamento económico, sobre a indústria do vestuÁrio (verClima afecta retalho – Parte 1), mas nem todos os países têm sentido a deterioração económica. Enquanto o Brasil, a Rússia, a índia e a China (BRIC) estão a conseguir escapar ao abrandamento económico, com o crescimento do PIB (o PIB da China cresceu cerca de 11% no ano passado), os EUA e diversos mercados europeus estão a sofrer com o aumento nos preços dos produtos e o sector retalhista estÁ cada vez mais competitivo. Adam Chester, economista chefe do Bank of Scotland Treasury, afirmou que, com a média do mercado doméstico dos países desenvolvidos a registar uma desaceleração no rendimento disponível, o sector da moda é deixado num estado volÁtil». é provÁvel que o ambiente no retalho, ao longo dos próximos 6 a 12 meses, seja de grande desafio», sustentou Chester, acrescentando também que o clima poderÁ realmente ter um efeito maior sobre as vendas de vestuÁrio e calçado do que a própria economia. A responsÁvel de aprovisionamento da Marks & Spencer para o vestuÁrio de senhora, Annette Browne, explicou, aos delegados presentes na conferência da ASBCI, como a adaptação ao clima e a manutenção de prazos de entrega bem definidos pode ser um exercício que requer um grande equilíbrio. Browne afirmou que se olharmos para alguns dos desafios do dia-a-dia, não só temos de conseguir lidar com eles, mas agora também temos de lidar com as condições climatéricas. Um dos elementos mais importantes, do ponto de vista da compra e do design, é a reacção às tendências. Temos de acertar as tendências, isso é essencial, e realizar as compras mais perto da estação é uma forma importante para fazermos isso». Browne acrescentou que a arquitectura dos preços» e o valor estão-se a tornar mais importantes para o consumidor, devido a uma mudança na economia do Reino Unido e na paisagem do retalho britânico. Com efeito, a Primark, retalhista britânico de “fast fashion” estÁ a aproximar-se da Marks & Spencer (M&S) ao assumir a segunda posição entre os principais retalhistas do Reino Unido. No entanto, Browne salientou que o modelo de “fast fashion” utilizado pelos congéneres da Primark não é a forma como a M&S desenvolve o seu negócio. Ela explicou que não é uma questão de preços baratos e uma frase que Stuart (referindo-se a Stuart Rose, presidente executivo da M&S) utiliza muitas vezes é: “preço multiplicado pela qualidade é igual a valor”. é basicamente esta a estratégia de aprovisionamento da Marks & Spencer. Trata-se de vender coisas e dar aos nossos clientes os melhores produtos ao melhor valor, e isso não se limita apenas a preços baratos». Por outro lado, a Primark estÁ a enfrentar a tempestade através da venda de artigos com margens baixas e grandes volumes. Portanto, os retalhistas de vestuÁrio no Reino Unido estão a atacar o mercado de formas muito diferentes, mas igualmente bem sucedidas. Embora a actual incerteza económica tenha a tendência para estabilizar no final da década, os invulgares padrões climatéricos poderão ser um compromisso a longo prazo para os compradores de moda. O fórum anual da ASBCI apresentou mais uma vez alguns desafios interessantes para as empresas de moda. E, apesar de provavelmente ser demasiado tarde para reparar os danos causados ao nosso planeta, ainda existem inúmeras oportunidades para minorar os estragos.