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Clima natalício tenso para as lojas

O início tardio das compras de Natal foi combatido com descontos e incentivos. Existem receios que sem uma descida acentuada das temperaturas os retalhistas tenham de fazer um esforço para encher os seus cofres sem os valores ganhos com as prendas de Natal. A Verdict estima que os gastos anuais com o retalho subiram apenas 3 por cento em Outubro, alcançando os 27 mil milhões de euros, situando-se bem abaixo do crescimento de 5.6 por cento verificado entre 2001 e 2002. A empresa de consultoria prevê que estes valores se mantenham em Novembro, situando-se os gastos apenas 3.4 por cento acima do registado em 2002, equivalente a 30.6 mil milhões de euros, bastante inferior ao aumento de 5.4 por cento verificado entre 2001 e 2002. O abrandamento significa que as lojas terão de depender de um grande aumento dos gastos dos consumidores, na ordem dos 4.3 por cento (45.8 mil milhões) em Dezembro, isto se pretendem fechar o quatro trimestre com um crescimento das vendas de 3.7 por cento, ficando abaixo dos níveis de 2002. Se as previsões da Verdict se verificarem, os consumidores terão gasto 104 mil milhões de euros durante a época festiva – uma média de 4.157,89 euros por agregado familiar – apesar das ameaças de mais aumentos nas taxas de juro e dos crescentes medos de endividamento imobiliário. Nathan Cockrell, analista do Credit Suisse First Boston, é de opinião que o excesso de merchandasing por parte de várias lojas indicava que os retalhistas já estavam prontos para períodos mais difíceis e consequentemente vendas mais fracas. Richard Ratner, analista da Seymor Pierce, disse haver um risco de muitos retalhistas começarem a fazer descontos antes do Natal, dando como exemplo uma venda de três dias de saldo levada a cabo pela Debenhams. «Se os descontos começarem mais cedo os resultados serão bons em termos de volume, mas não tão bons em termos de lucros. Mesmo que seja um bom Natal, podem deixar de contar com as vendas de Janeiro». Os retalhistas iniciaram recentemente fortes campanhas publicitárias para a época festiva. A Woolworths estendeu a sua promoção do ano anterior de comprar três CD’s pelo preço de dois e de na compra de um CD obter um desconte de 50 por cento caso leve outro. A porta-voz da Woolsworth afirma que esta estratégia está planeada desde Fevereiro, mas admitiu que 2003 será um «grande Natal para os consumidores» com boas ofertas no mercado. A Argos tem uma oferta especial de um voucher de 7 euros para compradores que gastem mais de 71 euros e um voucher de 14 euros para quem gaste 142 euros. Richard Hyman, presidente da Verdict, defende que as previsões da sua empresa não são demasiado optimistas. Afirmou que, «não penso que os consumidores vão apertar o cinto apenas devido ao pequeno aumento das taxas de juro. Nós acreditamos que as pessoas vão festejar o seu Natal com um nível razoável de compras, mas que a tendência geral de uma queda no crescimento de vendas vai continuar. Os pais querem fazer as vontades aos filhos e não cortarão no orçamento familiar até ao ano novo». A Verdict prevê que a categoria com maior crescimento será a música e o vídeo, prevendo-se que as vendas do quarto trimestre aumentam até 8.7 por cento relativamente a 2002, alcançando os 2 mil milhões de euros. O crescimento menos significativo verificar-se-á no vestuário e no calçado com apenas 1.8 por cento, ou seja, 16.4 mil milhões de euros.