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Clothius é parceira na criação de máscara inteligente

A especialista em tricotagem, através da RDD Textiles, está envolvida num projeto da Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico do Porto para desenvolver uma máscara com um biossensor colorimétrico capaz de dar informação sobre a capacidade de filtração e o estado de contaminação ao longo da sua utilização.

A pandemia de Covid-19 trouxe a necessidade de utilização de máscaras sociais para evitar a propagação do vírus, uma exigência que ainda se prolongará, em Portugal, pelo menos até setembro, mas «não existe, à data, nenhuma máscara de proteção que dê indicação específica sobre a sua capacidade de proteção ao longo do período de utilização», afirma, na mais recente newsletter do Compete, Mónica Vieira, professora-adjunta da Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico do Porto e responsável do projeto Smask.

Com o intuito de colmatar esta necessidade, o Smask propõe-se a desenvolver um biossensor colorimétrico, incorporado numa superfície têxtil, que seja capaz de conferir uma indicação direta da capacidade de proteção das máscaras, tanto de nível 2 como de nível 3. O objetivo é que «dê ao utilizador informação sobre a capacidade de filtração do equipamento, com um sensor de humidade; e do estado de contaminação, com um sensor de existência de contacto com o vírus SARS-CoV-2», explica Mónica Vieira.

Para isso, os investigadores estão a usar nanopartículas de ouro funcionalizadas para detetar o vírus, que são depois incorporadas numa superfície têxtil. Já para a monitorização do nível de humidade no tecido está a ser trabalhado «um biossensor baseado em substâncias higroscópicas [capazes de absorver água]».

«Este tecido inteligente será adicionado às máscaras de proteção na forma de etiqueta e darão, de forma simples, apenas pela mudança de cor, indicação ao utilizador sobre a eficácia e proteção. O utilizador não terá, assim, que ter conhecimentos diferenciadores ou qualquer tipo de formação específica para conseguir “ler” o estado de eficácia da máscara que utiliza, tornando, desta forma, esta máscara de proteção respiratória mais eficiente, segura e passível de ser utilizada por qualquer indivíduo, no desenvolvimento de qualquer atividade», destaca a responsável do projeto.

O Smask, que conta com um incentivo FEDER na ordem dos 135 mil euros, para um investimento elegível de 169 mil euros, além dos investigadores da Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico do Porto, que na sua atividade desenvolve formação e investigação em processos biotecnológicos aplicados à saúde, envolve a Clothius, especialista em tricotagem do grupo Valérius, através da RDD, «o laboratório técnico e científico e centro de I&I&D» que, revela Mónica Vieira, «apresenta uma sólida equipa técnica e científica responsável pela inovação, investigação e desenvolvimento com vasta experiência em atividades de I&D em áreas da indústria têxtil, saúde, desporto e bem-estar, desenvolvendo estruturas inovadoras, composições, acabamentos e funcionalizações em processos biotecnológicos, químicos e têxteis aplicados».

Para a responsável do projeto, «as duas instituições complementam-se a nível de conhecimento e de áreas de atuação, que, apesar de distintas, são essenciais naquilo que é necessário para o desenvolvimento do projeto Smask».