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Cluster têxtil dá passos no crescimento

O Cluster Têxtil - Tecnologia e Moda, que em setembro assinou com o Governo o Pacto Sectorial para a Competitividade e Internacionalização, conta atualmente com 50 membros, mas este número deverá crescer em breve, numa altura em que procura encontrar instrumentos para concretizar as suas ações estratégicas.

«Temos entidades e empresas que querem integrar este agregado. As previsões é de que vamos crescer de forma estruturada e concertada», revela Ana Ribeiro, diretora-executiva do Cluster Têxtil – Tecnologia e Moda, ao Portugal Têxtil.

Fundado há vários anos, o cluster foi criado formalmente em 2017, depois de ter sido reconhecido oficialmente como de interesse nacional pelo governo. Gerido pelo Citeve, mas com um modelo de governação independente, conta atualmente com um «grupo de alto nível», composto por representantes de cinco empresas e de duas entidades, e por nove grupos de interesse especial: Green Textiles Club; Mobilidade; Habitat; Militar e Proteção; Desporto; Digitalização e Indústria 4.0; Talentos, Formação e Educação; Design e Moda; e Marketing e Comunicação. «Desses grupos não só saem as agendas a longo prazo, como saem ações de curto e médio prazo que vamos implementando, sempre com o foco que seja do interesse coletivo e não particular de uma empresa», explica Ana Ribeiro.

Até agora, uma das principais missões do cluster tem sido o de ser a voz dos membros que o integram. «O cluster neste momento serve como interlocutor entre vários organismos – a nível nacional com a Comissão de Coordenação da Região Norte, com o Ministério da Economia… E depois também tem uma presença forte em redes europeias e, portanto, também é a voz do agregado», aponta a diretora-executiva.

Cumprir o Pacto Sectorial

Os próximos passos passam por dar seguimento ao Pacto Sectorial para a Competitividade e Internacionalização, que assinou a 11 de setembro, numa cerimónia presidida pelo Ministro da Economia. «O que viemos aqui fazer foi também assumir compromissos de médio prazo entre o Estado e estes sectores, para os ajudar a concretizar os objetivos estratégicos que definiram, em termos de emprego, valor acrescentado e exportações», afirmou Pedro Siza Vieira durante o evento.

Pedro Siza Vieira, António Amorim e António Braz Costa

«Os pactos sectoriais são, no fundo, um compromisso entre cada um dos sectores e o governo das áreas que serão depois fruto, eventualmente, de algum financiamento, com a dinamização de atividades que permitam a concretização dessas áreas», refere Ana Ribeiro. No pacto do Cluster Têxtil – Tecnologia e Moda constam estratégias para os próximos cinco a 10 anos em áreas como formação, internacionalização, design, economia circular e sustentabilidade e indústria 4.0, assim como «o desenvolvimento ao nível de novos produtos e novas estruturas que abraçam a área da funcionalização, das estruturas complexas, da criação de novos processos mais competitivos, mais sustentáveis a nível económico e do ambiente, e no impacto social também», enumera a diretora-executiva.

O desafio será, contudo, o financiamento. «O pacto não tem dotação orçamental nenhuma. Portanto, agora vamos ter de encontrar as ferramentas para concretizar as ações. Por isso é que as reuniões com os diferentes organismos que tutelam cada uma das áreas são importantes», sublinha Ana Ribeiro.

Os objetivos traçados no curto e médio prazo incluem «manter as atividades que temos tido até à data, com os grupos de interesse especial, que têm a grande missão de reflexão, de debate e de construir em diversos temas o que é que são áreas importantes a implementar para o sector, e passam por encontrar instrumentos que nos permitam concretizar o pacto e por continuar estas ações de lobby e de influência daquilo que poderão ser os próximos programas de financiamento a nível regional, nacional e europeu», conclui Ana Ribeiro.