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CM Socks previne entorses

A meia Prevent Sprain Technology, capaz de prevenir e ajudar na recuperação de entorses, é a mais recente novidade da CM Socks, que graças aos investimentos na inovação e na diferenciação aumentou o volume de negócios em quatro milhões de euros nos últimos dois anos.

A tecnologia foi desenvolvida nos últimos dois anos pela CM Socks – Peúgas Carlos Maia em parceria com Diogo Silva e Alexandre Lopes, ambos professores e investigadores da Escola Superior de Saúde e do CEMAH – Centro de Estudos do Movimento e Atividade Humana do Instituto Politécnico do Porto.

A meia, que pode ser usada em diferentes desportos, conjuga os princípios anatómicos e biomecânicos das ligaduras funcionais e dos suportes de tornozelo, permitindo maior estabilidade do tornozelo, ao mesmo tempo que melhora a performance, graças ao antiderrapante que evita o deslizamento do pé dentro do calçado, tem compressão para favorecer o retorno venoso e proporciona níveis elevados de conforto. Esta meia contempla ainda um tratamento antibacteriano e é produzida com um fio especialmente desenhado para o efeito.

«Tivemos muitas dificuldades em encontrar matérias-primas para poder dar o efeito que pretendíamos, isto é, criar uns ligamentos na própria meia que fizesse a substituição das ligaduras. Conseguir ter a compressão necessária e de forma a que permitisse calçar a meia não foi fácil», afirma Carlos Maia. «Em Portugal não conseguimos matérias-primas para isso. Entrámos então em contacto com uma empresa suíça, a mais antiga de fabrico de meias de compressão, que agora produz também matérias-primas. Um técnico veio cá, dissemos-lhe o que pretendíamos e eles fizeram um estudo e desenvolveram a matéria-prima de propósito – é feita exclusivamente para nós», explica o fundador da empresa ao Portugal Têxtil.

Tecnologia testada e patenteada

As meias Prevent Sprain Technology foram testadas e a tecnologia incorporada está já patenteada para 143 países. Atualmente é produzida em três cores – branco, amarelo e preto – e está a ser usada por atletas profissionais de voleibol, andebol e râguebi em Portugal, mas a apresentação na Ispo Munich 2019, onde a CM Socks esteve pela primeira vez, deverá alargar o número de adeptos.

«Tivemos contactos de franceses, suíços, americanos e italianos sobre esta meia», enumera Carlos Maia, que aponta como um dos grandes objetivos da empresa a internacionalização da Prevent Sprain Technology. «Precisamos pelo menos dos próximos quatro anos para conseguir atingir o nível máximo de globalização, até porque não temos poder, financeiramente, para patrocinar grandes clubes. Tem de ser contacto a contacto, mas sabemos que vamos conseguir», acredita. «Nos próximos quatro anos iremos dar realmente o máximo das meias Prevent Sprain Technology e aí teremos de pensar em aumentar a nossa empresa para podermos dar resposta», admite Carlos Maia.

Mas nem só desta nova tecnologia vive a produtora de meias, que detém ainda as marcas próprias CM Socks e Pureco, esta última consistindo num tratamento antibacteriano, e trabalha em private label para insígnias como Slazenger, Umbro, Dunlop, Donnay, CAT e Coca-Cola. «Estamos a trabalhar com grandes grupos, que têm lojas espalhadas não só pela Europa, mas também fora da Europa», destaca o fundador da CM Socks.

A empresa, que emprega 170 pessoas, exporta, por isso, praticamente 100% da sua produção, que além da Europa, o principal destino, chega também ao Brasil, Panamá, México e Dubai.

2019 promissor

O negócio tem vindo a crescer e, em 2018, o volume de negócios atingiu os 10,5 milhões de euros. «Em sensivelmente dois anos aumentámos 4 milhões de euros», revela Carlos Maia, que atribui o crescimento aos investimentos que foram realizados. «Fizemos um investimento há dois anos na ordem dos 3 milhões de euros, comprámos à volta de 150 máquinas», desvenda, sublinhando ainda que a empresa se quis distinguir pela diferenciação no produto e no serviço, captando clientes que não trabalhavam com Portugal. «Não nos modernizamos para poder competir dentro do nosso país. Foi para conquistar novos clientes que compravam noutros países e que deslocaram as encomendas para a nossa empresa e para Portugal», reforça.

Com a aposta claramente a compensar, a CM Socks, que além das meias para desporto, que constituem cerca de 80% da produção, produz também peúgas para a área da moda e saúde, nomeadamente modelos com compressão, está otimista para o futuro. «Fizemos uma revolução na nossa empresa em termos de modernização e de criação de produtos novos para as várias vertentes – foi nisso que apostámos. E está a correr extremamente bem. Em 2019 temos um ano já espetacular em termos de encomendas», garante Carlos Maia.