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Coach compra Kate Spade

A empresa norte-americana confirmou a compra da Kate Spade por 2,4 mil milhões de dólares (aproximadamente 2,2 mil milhões de euros), aproveitando a popularidade da marca e o seu particular apelo junto dos próximos grandes consumidores do luxo – os millennials.

A oferta da Coach por ação da Kate Spade foi de 18,50 dólares, valor 9% acima relativamente ao fecho de sexta-feira. Na segunda-feira, as ações da Kate Spade estavam a negociar a 18,36 dólares, enquanto as da Coach subiram 5%, para os 44,80 dólares. As ações da Kate Spade aumentaram 17% desde 27 de dezembro, um dia antes de começarem a circular os rumores de que a empresa estava à procura de comprador.

As bolsas de luxo acessível da Kate Spade são particularmente populares junto das camadas mais jovens de consumidores devido aos seus logotipos subtis e designs peculiares e coloridos, que incluem, por exemplo, bolsas em forma de gatos. No entanto, a empresa, tal como outros fabricantes, incluindo a própria Coach, tem conhecido algumas dificuldades face à concorrência feroz e a uma queda no tráfego dos grandes armazéns (ver Luxo acessível já sofre).

Ainda assim, o CEO da Coach, Victor Luis, relativizou a desaceleração no mercado das bolsas (ver Rebentou a bolha das bolsas). «A nossa convicção mais forte é de que a classe média na Europa, nos EUA e especialmente nos mercados em desenvolvimento vai representar uma oportunidade tremenda», afirmou à agência noticiosa Reuters. O imigrante açoriano acredita que, na Kate Spade, serão os millennials a impulsionar a retoma. «Estamos muito animados com o facto de a Kate Spade ter força junto dos millennials, vemos isso não só nas vendas, mas no envolvimento online», destacou. Cerca de 60% dos clientes da Kate Spade são millennials, segundo a Coach, e a marca garante cerca de 15% das suas vendas fora da América do Norte.

Em sintonia com a estratégia de reviravolta da Coach (ver Rebranding salva vidas), a empresa pretende reduzir as vendas da Kate Spade nos grandes armazéns e restringir as vendas flash online, expandindo a presença da marca na Europa e na Ásia.

A Coach, de resto, foi apresentada como uma das maiores histórias de sucesso dentro das reviravoltas de 2016. O plano de Victor Luis entrou em vigor em 2013 com o objetivo de reposicionar a Coach no mercado – envolvendo a contratação do diretor criativo Stuart Vevers (ver Coach de luxo) para acelerar o pronto-a-vestir, uma presença na semana de moda de Nova Iorque e uma redução na presença em grandes armazéns, entre outros, – e começou a dar frutos no ano passado.

A marca assistiu ao crescimento das vendas no terceiro trimestre do ano fiscal de 2016 – as coleções de Vevers foram elogiadas pela indústria –, abriu uma flagship na 5.ª Avenida em novembro e celebrou o 75.º aniversário com um evento de sucesso. A primeira boa-nova de 2017 foi a colaboração com a cantora Selena Gomez. A Coach revelou ainda estar focada em preservar a independência da marca Kate Spade e em reter o seu talento, mas não especificou a que se referia com tais afirmações.

O acordo da Kate Spade foi aprovado por unanimidade pelos conselhos de ambas as empresas e deverá estar fechado no terceiro trimestre de 2017. Espera-se que a aquisição faça crescer os lucros da Kate Spade no ano fiscal de 2018, alcançando os dois dígitos no ano fiscal de 2019.

A Kate Spade, que reconheceu no início deste ano que estava a explorar as suas alternativas estratégicas, é avaliada como boa aquisição para a Coach. Ambas as empresas estão sediadas em Nova Iorque e têm-se esforçado por manter uma sensação de exclusividade num ambiente de retalho assombrado pelos descontos constantes. «Gostamos da oferta de produtos complementar, da base de clientes complementar, do potencial para sinergias», escreveu o analista Mark Altschwager, da Robert W. Baird & Co, numa nota. Já Oliver Chen, analista da Cowen & Co, considerou que a Coach estava a adquirir «uma marca poderosa a um preço razoável».

A decisão de compra da Kate Spade segue a aquisição bem-sucedida da marca de calçado de luxo Stuart Weitzman, pela qual a Coach pagou 574 milhões de dólares em 2015 (ver Coach compra Stuart Weitzman).

A Coach não tem escondido que ambiciona assumir-se como uma empresa de luxo multimarca global, circulando também rumores de que, além da Kate Spade, estava a considerar a aquisição da fabricante de calçado de luxo Jimmy Choo. «Agora que a Coach está no caminho certo para a recuperação, acreditamos que é bom a empresa explorar opções de crescimento futuro», reconheceu, em declarações à CNBC, Neil Saunders, analista da Global Data Retail. Saunders ressalvou ainda que a Kate Spade está «nos estágios iniciais do desenvolvimento da sua marca de lifestyle e poderia beneficiar do know-how de sourcing e distribuição da Coach, bem como de um olhar fresco no campo do design».