Início Arquivo

Colaboração é fundamental

A questão da colaboração assumiu maior importância após o colapso do edifício Rana Plaza no Bangladesh, no início deste ano, no qual mais de 1.100 pessoas perderam as suas vidas. Mas muitos dos fatores que contribuíram para este desastre, incluindo a corrupção, a ignorância e os baixos padrões laborais, ainda são comuns, de acordo com o divulgado neste recente evento organizado pela Responsible Trade Worldwide (RTW), empresa de consultadoria especializada na sustentabilidade e na ética. Como resultado, os retalhistas estão cada vez mais a procurar estabelecer parcerias com os seus fornecedores, de forma a promoverem a sustentabilidade e as práticas laborais éticas. De salientar que atualmente os grandes retalhistas podem facilmente ultrapassar os mais de 100 mil fornecedores, sendo por isso necessária uma abordagem de escala. Jo Webb, diretora de relacionamentos na Sedex e membro do UN Global Compact Supply Chain Sustainability Advisory Group, explicou que «os riscos aumentam ainda mais a jusante da cadeia de aprovisionamento e, ao mesmo tempo, a capacidade de lidar com esses riscos diminui – é o iceberg do incumprimento oculto sob a superfície. Focalizar apenas os fornecedores de primeiro nível não é suficiente». «A colaboração é fundamental. Alguns dos problemas crónicos da cadeia de aprovisionamento que estamos a assistir são endémicos e nenhuma empresa pode resolvê-los por conta própria. A duplicação ainda é prevalente», prosseguiu Webb. «No entanto, se as empresas conseguirem lidar com a sustentabilidade de forma não-competitiva e trabalharem em conjunto para fomentar a convergência, então poderiam ser gastos mais tempo e esforço no tratamento das questões, em vez de encomendar auditorias constantes para diferentes requisitos», defendeu. Os grandes retalhistas estão agora a tomar medidas, a identificar os desafios com os seus fornecedores para que possam enfrentá-los em conjunto, e a oferecer uma maior igualdade para os trabalhadores, encorajando o diálogo aberto em todos os níveis. Louise Herring, diretora de comércio ético na Sainsbury, revelou que «estamos a trabalhar com os nossos fornecedores para identificar as causas dos problemas laborais, como parte da nossa estratégia 20/20. Um exemplo é a educação e o acesso à saúde reprodutiva das mulheres, que pode ser uma grande barreira em alguns países em desenvolvimento.» A avaliação da transparência e da ética de uma cadeia de aprovisionamento, para demonstrar a evolução e o compromisso, utilizou a auditoria como a principal ferramenta durante décadas. Mas provoca frequentemente a sobreposição de dados, pode ser alvo de preconceitos e levar um tempo considerável para processar os resultados, antes que qualquer ação possa ser tomada. As alternativas incluem visitas por parte de terceiros e aplicações orientadas para os consumidores, onde são destacados o custo financeiro e ambiental dos produtos.